Estatal venderá até 33,75% das ações da BR

Estatal venderá até 33,75% das ações da BR

Uma semana depois de ter dado início ao processo de venda de quatro de um pacote de oito refinarias, a Petrobras anunciou ontem a venda de até 33,75% das ações da BR Distribuidora. A operação, que deverá ocorrer ainda este mês, pode render até R$ 9,27 bilhões para a Petrobras. Na prática, significará a privatização da subsidiária de combustíveis, já que a estatal deverá reduzir a sua atual participação no capital da empresa de 70% para menos de 50%.

A Petrobras publicou ontem o prospecto preliminar da oferta pública secundária de ações ordinárias da subsidiária. Serão ofertados entre 25% e 33,75% do capital social da companhia, dependendo do exercício dos lotes adicional e suplementar. A venda das ações faz parte da estratégia do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, de vender ativos para reduzir o endividamento da estatal e concentrar investimentos na exploração de petróleo e gás no pré-sal.

Estimativas de mercado ontem indicavam um ganho de até R$ 9,27 bilhões para a Petrobras com base na cotação das ações da BR em R$ 23,60 no pregão da última segunda-feira. Ontem, as ações da BR Distribuidora avançaram 1,69% na Bolsa de São Paulo, a B3. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras tiveram alta de 1,16% e 1,02%, respectivamente, também influenciados pela alta dos preços do petróleo no exterior.

CONCLUSÃO NO DIA 23

Após a venda das ações, a participação acionária da Petrobras na BR deverá ficar entre 46% e 38%, mantendo-se como principal acionista. No entanto, com menos de 50% nas mãos da Petrobras, a BR deixará de ser formalmente uma estatal, o que, para analistas, deverá dar à empresa melhor governança e mais agilidade para competir no mercado de combustíveis.

— A empresa ficará blindada de interferências políticas em sua gestão —destacou Giovani Loss, do escritório Mattos Filho Advogados.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, concorda:

— Com novos acionistas, provavelmente haverá mudanças no conselho de administração (da BR) e maior pressão (dos acionistas) para melhorar sua rentabilidade.

Pelo cronograma previsto no prospecto, o período de reservadeaçõesdaBRseráentre 10e22dejulho.Nodia23,o valor da ação será anunciado. As vendas dos lotes suplementar e adicional poderão ser concluídas até 28 de agosto, diz o documento. Ao todo serão ofertadas 291,25 milhões de ações, além de cerca de 43,68 milhões de papéis no lote suplementar e 58,25 milhões no lote adicional. A operação será coordenada por JPMorgan, Citigroup, Bank of America Merrill Lynch, Credit Suisse, Itaú BBA e Santander.

A venda de ações da BR Distribuidora no mercado foi anunciada logo depois da conclusão da oferta secundária de ações da Petrobras detidas pela Caixa Econômica Federal. A operação, concluída na semana passada, levantou R$ 7,3 bilhões com a alienação de 241,3 milhões de papéis.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o mercado tem apetite suficiente para mais essa oferta relacionada à Petrobras, mas o interesse pode aumentar dependendo do andamento da tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

— O mercado tem apetite e fôlego para mais essa oferta, que tem o atrativo ainda de oferecer um desconto que pode variar de 2% a 5% no valor da ação. Mas o maior interesse dos investidores vai depender de como estará encaminhada a proposta da reforma da Previdência no Congresso até o próximo dia 18, quando entra em recesso — diz o analista. — Se o cronograma estiver avançado, vamos ter um viés crescente na Bolsa com os investidores apostando na retomada do crescimento da economia.

Fonte: O Globo

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