Agência rebaixa País; mercado ignora

Agência rebaixa País; mercado ignora

Sem reforma da Previdência, com um enorme buraco nas contas públicas e uma grande indefinição em relação aos candidatos à presidência na eleição de outubro, o Brasil voltou a ter sua nota rebaixada por uma agência de classificação de risco. Depois de a Standard & Poor’s já ter feito esse movimento no início de janeiro, ontem foi a vez de a Fitch reduzir a nota brasileira, de BB para BB-. Com isso, o País ficou três níveis abaixo do chamado “grau de investimento” – uma espécie de selo que mostra que um país tem risco baixo de dar calote em sua dívida.

De acordo com a Fitch, o fim da possibilidade de votação da reforma previdenciária, com a intervenção federal no Rio – o que impede, de acordo com a legislação, a tramitação de propostas de emenda à Constituição –, representou um “importante revés”, minando a confiança de médio prazo nas finanças públicas e no compromisso político do governo em perseguir o ajuste fiscal.

O relatório da agência também cita que, com a dificuldade de votar a Previdência agora, o projeto ficou mesmo para depois da eleição, e há grandes incertezas sobre a capacidade do próximo governo de garantir a aprovação da reforma em tempo hábil.

Apesar do sinal negativo dado pela Fitch, o mercado financeiro recebeu o anúncio sem sustos. A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, registrou a oitava sessão seguida de alta, de 0,7%, fechando com um novo recorde: 87.293 pontos. Com isso, o índice acumula no ano uma alta de 14,26%. O dólar, por sua vez, voltou a cair, terminando o dia cotado a R$ 3,2403, com baixa de 0,27%.

A explicação para essa reação é de que o rebaixamento já era amplamente esperado, uma vez que as grandes agências de rating já haviam sinalizado que mudariam a nota em caso de fracasso da reforma da Previdência. Agora, espera-se para breve o mesmo movimento por parte da agência Moody’s.

Para o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da consultoria Tendências, o rebaixamento foi um “reconhecimento” ao Brasil pela falta de iniciativa de atacar os problemas fiscais. E, segundo ele, o caminho de volta para recuperar o grau de investimento se torna cada vez mais difícil.

“A cada ano que você adia a reforma previdenciária, mais difícil se torna (a reconquista do grau de investimento)”, disse. “O governo não tem espaço para aumentar imposto, então como é que você equilibra sem uma reforma? E essa crise fiscal não está focada no governo federal – ela é generalizada.”

Para analistas do mercado financeiro, depois desses rebaixamentos, novos movimentos no rating brasileiro vão aguardar o resultado das eleições. A partir daí, espera-se que haverá maior clareza sobre o caminho que o País vai tomar para conter o aumento da dívida pública.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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