Analistas já preveem retração do PIB

Analistas já preveem retração do PIB

A pandemia do novo coronavírus praticamente acabou com a possibilidade de a recuperação econômica brasileira – lenta há três anos – ganhar tração. Nesta semana, várias instituições financeiras reviram para baixo as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano. Alguns analistas já preveem até a possibilidade de uma retração na atividade produtiva.

A LCA Consultores foi a primeira a esperar queda do PIB em 2020, em revisão feita ontem. O que antes era o cenário mais pessimista da consultoria passou a ser o mais provável, com variação negativa de 0,4%. Antes, via expansão de 1,7%.

Quem também passou a prever contração do PIB em 2020 foi a Itaú Asset. A expectativa agora é de retração de 0,3%, segundo o quadro de estimativas no site da instituição.

O Credit Suisse passou, ontem, a prever um PIB que flerta com o negativo. A projeção do banco caiu de 1,4% para 0%. Em relatório a clientes, o banco afirmou que o cenário base é compatível com uma recessão no primeiro semestre do ano, com retração de 0,1% no primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre.

A consultoria Tendências, por exemplo, que havia reduzido sua projeção de crescimento da economia de 2,1% para 1,6% duas semanas atrás, voltou a trabalhar em uma nova estimativa. O novo número para 2020 ainda não está fechado, mas 1% passou a ser o teto, segundo a economista-chefe, Alessandra Ribeiro.

“Não temos um número fechado ainda, mas não tem nada muito animador. Dependendo da hipótese usada nos exercícios que fazemos, o Brasil pode ter um PIB mais próximo de 0,5%, 0,6%. Mas, em casos mais dramáticos, não dá para descartar um PIB negativo”, afirmou.

O Santander, por sua vez, revisou para baixo as projeções de crescimento em 2020 e 2021, de 2% para 1% e de 2,5% para 2%, respectivamente. “Trabalhamos

com um cenário onde o impacto do surto começa a se dissipar no segundo trimestre. Isso vai ficando mais visível no terceiro trimestre e, no quarto trimestre, voltamos à normalidade”, afirmou o economista do banco Mauricio Oreng.

O Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) também está revendo sua estimativa de crescimento, que antes era de 2% para 2020. Segundo a pesquisadora Luana Miranda, no cenário mais positivo, a economia brasileira repetiria o resultado de 1,1% registrado no ano passado. “Isso considerando que as atividades voltem ao normal no terceiro trimestre como se nada tivesse ocorrido anteriormente”, disse ela. O cenário mais pessimista do Ibre é um PIB de 0%. Nesse caso, haveria efeitos da crise ainda no quarto trimestre.

Anteontem, a consultoria MB Associados já havia revisado para baixo sua estimativa, de 1,7% para 1%. O Banco Fibra, por sua vez, reduziu de 1,8% para 0,8%.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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