Após quatro anos, Petrobras tem lucro líquido de R$ 25,8 bi

Após quatro anos, Petrobras tem lucro líquido de R$ 25,8 bi

No ano em que passou por uma troca de comando, após uma greve de caminhoneiros contra sua política de preços de combustíveis, a Petrobras voltou ao lucro. Após quatro anos seguidos de prejuízo, a estatal registrou lucro líquido de R$ 25,8 bilhões em 2018, o maior em sete anos e o primeiro desde que esquemas de corrupção na estatal viraram alvo da Operação Lava-Jato. Ao divulgar ontem seu balanço, a estatal atribuiu a volta de suas contas anuais ao azul à melhora dos seus resultados operacional e financeiro. Mesmo assim, contingências judiciais e baixas contábeis no último trimestre frustraram a expectativa de analistas.

Entre 2014 e 2017, a Petrobras acumulou mais de R$ 70 bilhões em prejuízos, que refletiram

perdas com atos de corrupção e com a desvalorização do petróleo no mercado internacional. No texto de apresentação dos resultados de 2018, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco — que assumiu no mês passado — fez menção ao “fim de um ciclo doloroso” no qual “a companhia foi vítima de prolongado saque perpetrado por uma organização criminosa”. Ele citou como simbólica a celebração de acordos com autoridades americanas sobre práticas de corrupção e a recente venda da refinaria de Pasadena, “cuja aquisição havia se transformado em símbolo da corrupção no Brasil”, afirmou.

A produção de petróleo e gás natural, porém, caiu 5% no ano passado, para 2,62 milhões de barris diários. A parada de diversas plataformas para manutenção e o atraso no início de operação de novos sistemas foram as

principais causas. Masa Petrobras prevê este ano atingir produção média de 2,8 milhões de barris diários.

No quarto trimestre de 2018, a empresa teve lucro líquidode R $2,1 bilhões, contra prejuízo de R$ 5,47 bilhões no mesmo período de 2017. Mas bancos e corretoras projetavam algo entre R$ 3,2 bilhões e R $8 bilhões. A cifra ficou 68% abaixo dos R$ 6,64 bilhões do terceiro trimestre.

R$ 7,1 BI PARA OS ACIONISTAS

A frustração está ligada ao fato de o balanço divulgado ontem ter absorvido impacto negativo de R$ 5 bilhões em contingências judiciais nos últimos três meses doa no.Gran departe do valor sedeveà unificação de campos produtores do Parque das Baleias, na Bacia de Campos, que ficam no litoral do Espírito Santo. Após quase cinco anos de discussão coma Agência Nacional do Petróleo

(ANP), a Petrobras aceitou pagar R$ 3,1 bilhões em participações especiais.

Também pesou o provisionamento para processo de arbitragem movido pela americana Vantage Deepwater por causa de um contrato de perfuração rescindido em 2015. Pesaram ainda R$ 6,4 bilhões em baixas contábeis (reavaliação do valor real do patrimônio da empresa) relacionadas a ativos como campos de produção e navios da Transpetro.

Em 2018 como um todo, as perdas contábeis totalizaram R$ 7,6 bilhões, enquanto perdas com contingências judiciais foram de R$ 7,4 bilhões. O efeito cambial foi negativo, em R$ 1,64 bilhão. Parte dessas perdas foi atenuada por fatores não recorrentes, como a assinatura de acordos com o setor elétrico (R$ 5,26 bilhões).

A Petrobras calcula que o lucro líquido seri ade R $35,9 bilhões se messes“itens especiais ”.

Ainda assim, analistas avaliam que os indicadores operacionais progrediram.

— Os números sinalizam que a companhia segue tendência de retorno depois de ter sido abandonada em um ciclo de ineficiência muito grande. As questões operacionais demostraram melhora, como a redução no custo de extração e o contro leda alavancagem financeira—destacou Ade oda toVolp iN etto,s ócio da Eleven Financial Research.

Com o resultado, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a distribuição de um total de R$ 7,1 bilhões aos acionistas, referentes ao exercício de 2018.

ESCRITÓRIOS FECHADOS

Um dos principais problemas da Petrobras, a dívida líquida encerrou 2018 em R$ 268,8 bilhões, contra R$ 291,8 bilhões no fim do terceiro trimestre. Com isso, a relação

entre dívida e geração de caixa diminuiu de 2,96 vezes para 2,34 vezes. No auge da Lava-Jato, essa relação chegou a superar 5 vezes.

—Podemos considerar essa questão, por ora, resolvida. A empresa deve buscar manter a alavancagem nesse patamar. Como é muito intensiva em capital, não deve reduzir muito mais esse valor, caso contrário terá dificuldades de operar —acrescentou Volpi Netto.

Além de vender ativos, Castello Branco tem um plano de redução de custos. Na terça-feira, a Petrobras informou que vai abrir um novo programa de demissão voluntária, dois anos depois da última iniciativa nesse sentido. Além de reduzir a estrutura fora do Rio, como a de São Paulo, o presidente da estatal também anunciou que vai fechar escritórios no exterior, entre eles os de Nova York (EUA), do Irã e do Japão.

Fonte: O Globo

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