Após reajuste, Bolsonaro critica Castello Branco e diz que vai combater ‘preço abusivo’

Após reajuste, Bolsonaro critica Castello Branco e diz que vai combater ‘preço abusivo’

O presidente Jair Bolsonaro criticou na noite desta segunda-feira o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e o reajuste da gasolina. Em conversa com apoiadores, Bolsonaro afirmou que o sucessor de Castello Branco, Joaquim Silva e Luna deve buscar outros meios para evitar o aumento dos combustíveis.

Ele também disse que a troca no comando da estatal não representa interferência política para “evitar o pessoal do mercado falar um montão de besteira”.

– Gostaram do novo aumento da gasolina amanhã? Ele (Castello Branco) só sai depois do dia 20, não quer dizer que o outro (Silva e Luna) vai interferir para evitar o pessoal do mercado falar um montão de besteira, ou melhor, o pessoal especular no mercado – declarou Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada.

Em seguida, acrescentou:

– Mas a gente tem como atacar outras áreas, fraude, batismo, preço abusivo para diminuir o preço. Porque nos dois anos que ele (Castello Branco) esteve lá, nada disso foi levado em conta. (É preciso) buscar maneiras de termos mais refinarias no Brasil, sei que demora, mas tem que começar. Tudo bem.

Como mostrou o GLOBO, a necessidade de um novo reajuste da Petrobras já havia sido informada pela diretoria da companhia aos membros do Conselho de Administração e ao governo na semana passada, com o aumento do preço do petróleo e do dólar.

Já na última quinta-feira, a defasagem dos combustíveis estava em 9%, aumentando os rumores entre os especialistas do mercado de que uma alta era inevitável. O avanço seria anunciado na sexta-feira, após a divulgação do lucro recorde no quarto trimestre de 2020. Mas se optou por anunciar nesta segunda-feira.

No ano, o preço do barril do petróleo no mercado internacional já subiu 26,5%, segundo dados da Bloomberg.

Na semana passada, ao falar de Silva e Luna, Bolsonaro afirmou que o seu indicado para a presidência da Petrobras “vai dar uma arrumada” na empresa, porque teria “muita coisa errada”. Na ocasião, Bolsonaro não especificou a que se referia.

Dias depois, Bolsonaro afirmou que todas as estatais precisam ter uma “visão de social”.

— Estando à frente dessa estatal, binacional, ele realmente a conduziu de forma ímpar, combatendo desvios, colocando-a no rumo da prosperidade, colaborando com o governador do estado, senhor Ratinho Jr., colaborando com mais de 30 prefeituras da região. Ou seja, uma estatal, seja ela qual for, tem que ter visão de social. Não podemos admitir uma estatal, um presidente, que não tenha essa visão — discursou o presidente.

Pandemia impediu de mexer na tabela do IR
Na mesma conversa, Bolsonaro relembrou promessa feita na campanha de 2018 sobre fazer ajustes na tabela do Imposto de Renda (IR). Segundo ele, a iniciativa não foi possível devido aos gastos com a pandemia da Covid-19.

– Eu ia mexer na tabela de imposto de renda, mas a pandemia me fez endividar em R$ 700 bilhões. Tem cara que fica ‘não assumiu compromisso de campanha’. Verdade. Mas não esperava R$ 700 bilhões com o vírus. Só isso e mais nada. É igual você prometer uma bicicleta para o seu filho no Natal, mas alguém ficou doente, você gastou muito com médico e não tem dinheiro para bicicleta – disse Bolsonaro.

Ele respondeu a um apioiador que perguntou sobre a possibilidade do governo zerar o imposto de renda para policiais militares.

– Se eu for tirar imposto de renda de policial, vamos supor, eu vou ter que tirar do policial civil, das Forças Armadas, dá uma continha enorme e a gente tem que aumentar imposto de outro lugar. Isso diz a Lei de Responsabilidade Fiscal que eu duvido que alguém consiga alterá-la, a não ser numa reforma tributária que está para acontecer – reagiu o presidente diante da demanda.

Fonte: O Globo

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