Atraso na reforma abala confiança de empresas e consumidores

Atraso na reforma abala confiança de empresas e consumidores

Apesar dos sinais de reconciliação entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente Jair Bolsonaro, o atraso na tramitação da reforma da Previdência já causa impacto na confiança de empresas e consumidores. Em março, esses indicadores perderam parte do avanço conquistado de novembro a janeiro. Na prática, isso significa adiamento de decisões de investimento e consumo, o que pode retardar a retomada do crescimento.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido

pela Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu este mês ao menor valor desde outubro de 2018, quando as expectativas estavam contaminadas pela eleição indefinida. Tanto as avaliações sobre o presente quanto as expectativas para os próximos meses pioraram.

— Além de a velocidade da recuperação econômica estar aquém do esperado, a demora no avanço das reformas tem contribuído para o aumento da incerteza — avalia Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor do Ibre/FGV.

O mesmo ocorreu com o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), que acumula uma perda de 8,3 pontos nos últimos três meses.

—Os índices reforçam o cenário de lenta recuperação influenciada pelo elevado nível de incerteza e do arrefecimento da confiança dos consumidores — diz Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do Ibre.

A prévia da Confiança da Indústria de março sinaliza queda de 1,9 ponto. Já o Índice de Confiança do Empresário da Construção recuou pelo segundo mês consecutivo em março.

— As dificuldades no cenário político diminuem a previsibilidade dos agentes econômicos. Isso se reflete em uma

postura mais cética dos empresários, principalmente em relação a investimentos de longo prazo —diz a economista da CNI Dea Fioravante.

O superintendente de Estatísticas Públicas da FGV, Alo isio Campelo Jr ., diz queé possível que a confiança volte a subir no segundo trimestre, mas este avanço está condicionado asinais de concordância entre Executivo e Legislativo em torno dos principais pontos da agenda econômica neste primeiro ano de governo.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se a reforma da Previdência não for aprovada este ano, o país poderá voltar à recessão já em 2020. Isso aconteceria porque, na visão do instituto, não há solução para o desequilíbrio fiscal que não passe pela contenção dos gastos com aposentadorias e benefícios assistenciais. Se esse cenário se concretizar, os efeitos para o país seriam ainda piores

que os da cri sede 20142016, alerta o diretor de Estudos ePolíticas Macro econômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior.

— Hoje, o cenário é muito pior do que o que tínhamos no início da crise passada —disse Souza Júnior, referindo-se ao atual desemprego alto eà crise fiscal de estados e municípios.

Ontem, o Banco Central diminuiu a previsão para o crescimento da economia neste ano de 2,4% para 2%.

Fonte: O Globo

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