Brasil cria 142 mil vagas com carteira assinada em 2020, apesar da pandemia

Brasil cria 142 mil vagas com carteira assinada em 2020, apesar da pandemia

Num ano marcado pela pandemia de Covid-19 e a crise econômica causada pela doença, o Brasil conseguiu abrir 142.690 vagas com carteira assinada. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2020 foi divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Economia.

O saldo do emprego formal em 2020, apesar de positivo, foi o pior registrado desde 2017, quando o país fechou 11,9 mil vagas. E há forte diferença de acordo como gênero. Enquanto as admissões são maiores que as demissões no caso dos homens, entre as mulheres, há perda de postos de trabalho.

O governo atribuiu o resultado às medidas de estímulo à economia tomadas no ano passado. A principal ação foi permitir a redução da jornada e do salário dos empregados, com parte da renda do trabalhador sendo compensada pelo governo. De abril a dezembro de 2020, 9,8 milhões de empregados formais tiveram redução de jornada e salário ou suspensão do contrato de trabalho.

O programa criado pela Medida Provisória (MP) 936 se encerrou em dezembro. Mas o governo avalia uma alternativa à medida neste início de ano, a pedido de empresários. A opção em estudo é adaptar modelo de ‘lay-off’, que não exige complementação salarial da União.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou que a criação de empregos formais em 2020 é uma “grande notícia”.

— Em um ano terrível em que o PIB caiu 4,5%, criamos 142 mil novos empregos. A prioridade para o Brasil agora é saúde, emprego e renda. Esperamos que, assim que o Congresso retorne, resolvido o problema das novas lideranças e presidências da Câmara e do Senado, que o Brasil possa avançar com as reformas — disse Guedes.

O presidente Jair Bolsonaro também comemorou o resultado:

— Foi anunciado agora há pouco o dado do Caged. Nós terminamos o ano de 2020 com mais gente com carteira assinada do que dezembro de 2019. Ou seja, mesmo durante a pandemia, tivemos perda de empregos, abril, maio, depois recuperamos isso daí.

O Brasil registrou resultados positivos na geração de empregos entre julho e novembro. Em dezembro, voltou a fechar postos de trabalho (uma retração de 67.906), o que é considerado sazonal.

Apesar dos números positivos no ano, ainda não foi possível recuperar as perdas registradas durante o auge da crise econômica causada pela pandemia.

Entre março e junho, o país perdeu 1,612 milhão de vagas. Nos meses seguintes, foram criados 1,431 milhão de postos. O saldo do ano é positivo porque é influenciado também pela criação de vagas entre janeiro e fevereiro, antes da crise, quando foram abertas 339,9 mil posições.

De janeiro a dezembro de 2020 foram 15.166.221 admissões e de 15.023.531 desligamentos. O estoque de empregos formais no país chegou a 38,9 milhões de vínculos.

No ano passado, apenas o setor de serviços, um dos mais afetados pela pandemia, demitiu mais que contratou, registrando um saldo negativo de 132.584 vagas de trabalho. A construção civil criou 112.174 postos e a indústria 95.588 vagas. Os setores da agropecuária (+61.637) e o comércio (8.130) também abriram vagas com carteira.

Rio na contramão

O estado do Rio continua destoando do restante do país. No ano passado, o estado fechou 127.155 postos de trabalho formal, de longe o pior resultado entre os estados do país.

Em 2020, a pandemia fez o setor de serviços do Rio destruir 86.900 vagas de trabalho com carteira assinada. Mas o comércio, a indústria e a construção também fecharam postos de trabalho, na contramão do país.

— É um número que dói bastante. O estado passa por um processo de degradação econômica há décadas. E a gente não pode dissociar a situação econômica do Rio de Janeiro com a situação política local. A explicação para o Rio de Janeiro não é trivial — disse o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, citando também a economia do estado baseada no comércio e no serviço.

Empregos formais

O dado do Caged se refere apenas à geração de vagas formais de trabalho e não inclui informais. Isso explica, em parte, porque o desemprego medido pelo IBGE sobe mesmo com o saldo positivo de abertura de vagas com carteira assinada.

Levantamento divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira aponta que a taxa de desemprego já chega a 14,1%, maior percentual desde novembro de 2012, e atinge 14 milhões de brasileiros à procura de uma vaga.

A pesquisa do IBGE abrange também trabalhadores informais e por conta própria, por meio de um levantamento por amostragem.

Mulheres não encontram emprego

Os dados do Caged mostram uma geração de vagas desigual no ano passado. Enquanto para os homens foi registrado um saldo positivo de 230,2 mil vagas no ano passado, para as mulheres as demissões superaram as contratações em 87,6 mil vagas.

As contratações no ano passado privilegiaram também trabalhadores com ensino médio completo. Houve fechamento de vagas para trabalhadores com ensino superior completo e com ensino fundamental.

O recorte por idade também mostra o crescimento das vagas para trabalhadores com 18 a 24 anos, enquanto houve fechamento de postos para todos os trabalhadores a partir de 30 anos.

O salário médio de admissão de trabalhadores com carteira assinada ficou em R$ 1.777,30 de janeiro a dezembro de 2020, segundo dados do Caged. De acordo com o Ministério da Economia, houve um aumento real de R$ 62,66 no salário médio, uma variação de 3,65% em relação ao ano passado.

Fonte: O Globo

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