Brasil e EUA estão em negociações oficiais, diz Guedes

Brasil e EUA estão em negociações oficiais, diz Guedes

O governo brasileiro considerou a visita do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, o primeiro passo nas negociações para um acordo de livre-comércio entre os dois países. “Estamos oficialmente começando as negociações com os Estados Unidos”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, após se reunir ontem com funcionário do governo americano.

O encontro coincide com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feitas na terça-feira, de que vai trabalhar por um acordo com o Brasil. Qualquer redução de tarifas, no entanto, tem de ser feita no âmbito do Mercosul e depende de acordo com os países do bloco.

Ontem, Guedes fez questão de lembrar que conhece Ross “há mais de dez anos” e afirmou que a proximidade entre os presidentes Bolsonaro e Trump é “um convite à aproximação comercial”. “O Brasil está procurando se integrar à economia mundial. Ficamos décadas fora de grandes acordos”, afirmou.

Depois de se reunir com empresários em São Paulo, Ross encontrou-se com o presidente Jair Bolsonaro e Guedes, no Planalto, e teve uma segunda reunião com o ministro brasileiro e seus secretários no Ministério da Economia.

Nos encontros, foram discutidos temas como o compromisso já assumido com os Estados Unidos de adotar cota de 750 mil toneladas por ano para a importação de trigo sem tarifas e a renovação de uma cota de 600 mil toneladas para etanol, que expira em setembro. As duas questões devem ser resolvidas no segundo semestre.

Pelo lado brasileiro, a intenção, exposta no encontro, é negociar contrapartidas como o aumento da importação de açúcar e autopeças pelos americanos. “Os Estados Unidos têm interesse em trazer etanol e nós temos tecnologia flexível aqui. Para eles entrarem com etanol aqui, temos de colocar açúcar lá.”, afirmou o ministro Paulo Guedes.

Outros compromissos. Nenhum acordo, no entanto, foi fechado nesta visita. Enquanto ambiciona um entendimento mais abrangente com o governo de Donald Trump, o Brasil também vai trabalhar para desenrolar compromissos não tarifários que já vinham sendo negociados há anos e que agora devem ganhar velocidade, como acordos de investimentos, facilitação aduaneira e convergência regulatória.

“Combinamos com (o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur) Ross de nos engajar em ambas possibilidades”, afirmou o secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Ele ressaltou, no entanto, que é possível aproveitar a “vontade política” de Estados Unidos, Brasil e Argentina para fazer um acordo de livre-comércio caminhar. “Vamos nos reunir com o Mercosul e estabelecer um cronograma para o acordo. Já perdemos tempo demais na relação com os Estados Unidos, temos de partir para objetivo ambicioso”, completou Troyjo.

Nesta quinta-feira, o secretário americano continua em Brasília e participa de um seminário de infraestrutura onde falará sobre a reconstrução da Venezuela e sobre a competitividade das Américas.

União Europeia. Depois das declarações de Ross, de que é preciso ter cuidado com as “poison pills” (pílulas de veneno) que podem estar escondidas no acordo entre os blocos sul-americano e europeu, Paulo Guedes, disse que é possível conciliar o acordo firmado com a União Europeia com as negociações com os Estados Unidos.

O ministro disse que tanto nas negociações com a União Europeia quanto nas com os Estados Unidos existem produtores com interesse em proteger seus negócios e que questões como subsídios serão sempre questionadas. “Há interesses que podem ser contornados por acordo comercial.”

Segundo Guedes, o presidente americano, Donald Trump, está pensando em uma aliança estratégica para toda a América, e não apenas no âmbito do Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta).

Fonte: O Estado de S. Paulo

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