A economia brasileira ficou, mais uma vez, na lanterna do crescimento global. O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) ficou na penúltima posição de uma lista de 33 países, segundo ranking elaborado pelo GLOBO com base em números da Bloomberg. Apenas a Nigéria, que também sai de recessão profunda, cresceu menos que o Brasil. Para este ano, a expectativa dos economistas é que o PIB brasileiro ganhe maior fôlego, mas continue aquém das médias global e de nações emergentes.

A disputa entre os PIBs mundiais ficou mais acirrada no ano passado, já que houve uma sincronia raras vezes vista entre o desempenho das principais economias globais.

— Os países emergentes, como China e Índia, já vinham apresentando forte crescimento. A grande novidade do ano que passou foi o desempenho de países avançados. Na Europa, por exemplo, o crescimento esteve mais forte para além da Alemanha; o Japão também tem mostrado crescimento importante, assim como os EUA, que vinham oscilando — afirmou o economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências. — Isso se dá graças à inflação que, apesar do aquecimento econômico global, continua baixa, permitindo juros afrouxados.

Os países que mais cresceram em 2017 foram China e Romênia, cujos PIBs avançaram 6,9%. Na China, o resultado foi o melhor desde 2015, superando a meta estipulada pelo governo, que era de 6,5%. O resultado surpreendeu também economistas, que previam crescimento menor por causa dos esforços de Pequim para frear a concessão de crédito diante do aumento do estoque de dívida.

Já a Romênia foi favorecida pela retomada do crescimento nos vizinhos europeus e pelo maior aquecimento da economia na Alemanha, com a qual tem fortes laços comerciais e da qual depende. Logo abaixo da Romênia aparecem emergentes do sudeste asiático — Vietnã (6,8%), Filipinas (6,7%) e Malásia (5,9%) —, que absorveram nos últimos anos parte da produção que era realizada na China e foram ajudados pela retomada do consumo nas economias avançadas.

Os EUA cresceram 2,3%, enquanto a economia da Alemanha avançou 2,2%.

NOS EMERGENTES, AVANÇO DE 4,7%

O desempenho brasileiro em 2017 foi bem menor do que o da média dos países desenvolvidos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que esse grupo de economias deve ter crescido 2,3% no ano que passou. Quanto aos emergentes, a expectativa é que o PIB tenha avançado 4,7%. O resultado brasileiro jogou para baixo o desenvolvimento econômico de América Latina e Caribe: o FMI projeta aumento de apenas 1,3% em 2017, fazendo da região a de mais lento crescimento no mundo.

Segundo Campos Neto, o ano de 2018 permitirá uma certa “normalização” na posição brasileira no ranking. O FMI espera que este ano continue sendo positivo para a economia global, estimando aumento de 3,9%. Para o Brasil, o consenso entre os analistas hoje é que o Brasil crescerá 2,8% em 2018.

— O mundo vai ter ainda um ano positivo. Para o Brasil, deve haver um parelhamento com outras nações, colocando a economia nacional em uma situação de maior normalidade entre países emergentes e da América Latina — disse o economista da Tendências.

A dúvida para este ano, segundo Campos Neto, é a política monetária americana. Segundo ele, há risco de que o Federal Reserve (Fed) precise elevar os juros em ritmo mais acelerado do que o anteriormente previsto pelo mercado. Esta semana, o presidente do Fed afirmou que “mais altas graduais na taxa de juros serão o melhor jeito de atingir os objetivos”, referindose às metas de inflação e emprego.

Fonte: O Globo