Com lucro recorde, Petrobrás eleva para R$ 10,6 bilhões o valor destinado a acionistas

Com lucro recorde, Petrobrás eleva para R$ 10,6 bilhões o valor destinado a acionistas

Ao lado do lucro recorde de R$ 40,1 bilhões registrado em 2019, a Petrobrás anunciou o pagamento extra de R$ 1,7 bilhão do resultado aos seus acionistas, elevando para R$ 10,6 bilhões o total a ser distribuído aos detentores de suas ações. Boa parte disso ficará com o governo federal, seu principal acionista – o “grupo de controle” da estatal, a União diretamente e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem 42,38% do capital total da petroleira –, mas pequenos acionistas, como pessoas físicas, também poderão se beneficiar.

Após a divulgação dos resultados completos de 2019, com o anúncio dos dados do quarto trimestre na noite da última quarta-feira, analistas do mercado financeiro exaltaram nesta quinta-feira, 20, as melhoras na gestão operacional da Petrobrás. Com isso, a perspectiva de lucros em alta se mantém, com a promessa de seguir dividindo os bons resultados entre os acionistas, por meio de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP), as formas como as empresas distribuem os ganhos com os investidores.

“A Petrobrás vem entregando em tudo o que almejava: venda de ativos, crescimento de produção, desalavancagem (redução da dívida) e baixar o custo do capital”, escreveram, em relatório, os analistas Vicente Falanga e Gustavo Sadka, do Bradesco BBI. “Acreditamos que essa tendência vai continuar pelos próximos anos, o que deve culminar com a empresa aumentando substancialmente seus dividendos em 2022”, continua o texto.

Em agosto passado, a Petrobrás aprovou uma nova política de remuneração aos acionistas, cuja principal diretriz é ampliar a distribuição do lucro no caso de conseguir reduzir a dívida bruta abaixo de US$ 60 bilhões. No balanço financeiro do encerramento de 2019, a dívida total da estatal ficou em US$ 87,1 bilhões, mas, nos comunicados ao mercado e nas declarações públicas de seus diretores, a companhia reafirmou o compromisso de seguir vendendo ativos para reduzir o endividamento.

Também em relatório enviado a seus clientes, os analistas Thiago Duarte, Pedro Soares e Danil Guardiola, do banco BTG Pactual, apostaram que, com o prosseguimento do plano de vender ativos – como a participação que ainda detém da BR Distribuidora, que opera a rede de postos de gasolina, e a metade de suas refinarias –, a Petrobras terá condições de reduzir a dívida e, assim, pagar mais de seu lucro para os acionistas.

Por isso, no relatório, os analistas do BTG Pactual sustentam a recomendação de investir nos papéis da Petrobrás, mesmo diante de perspectivas menos favoráveis para as cotações internacionais do petróleo – em linhas gerais, quanto mais caro é o petróleo, maior a receita e os lucros das petroleiras, e o cenário de desaceleração do crescimento da economia da China, por causa da disseminação do coronavírus, tende a jogar para baixo o preço do barril.

Por outro lado, a ampliação da distribuição de lucros de uma empresa entre os acionistas pode tornar vantajoso o investimento em suas ações por causa do que os analistas chamam de “dividend yield” (“rendimento com dividendos”, em tradução livre).

Esse rendimento é calculado em paralelo à perspectiva de ganho com a valorização das ações em si. A valorização é o principal retorno financeiro do investimento numa ação – se um investidor compra o papel a R$ 10,00 na Bolsa e vende a R$ 11,00 um tempo depois, embolsa ganho de 10%. Já o “dividend yield” inclui no cálculo do retorno ao investidor o ganho com o pagamento de lucros – se um investidor compra uma ação a R$ 10,00 e recebe R$ 0,50 em lucro distribuído, embolsa ganho de 5% com o investimento, mesmo que não venda os papéis.

Nas contas dos analistas do BTG Pactual, a ampliação do pagamento do lucro aos acionistas poderá fazer com que o “dividend yield” da ação da Petrobrás fique entre 5% e 10% ainda em 2021.

Fonte: O Estado de São Paulo

No Comments

Post A Comment