Combustíveis e energia levam IPCA a 0,36% em julho

Combustíveis e energia levam IPCA a 0,36% em julho

A alta nos preços dos combustíveis e da conta de luz pesou no bolso dos consumidores em julho. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,26%, em junho, para 0,36% no mês passado – a maior taxa para meses de julho desde 2016.

O resultado, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em linha com o estimado por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, e confirmou a visão de um cenário inflacionário considerado comportado.

Tanto que a pressão inflacionária de julho pode ser atribuído a apenas três itens: gasolina, energia elétrica e ainda carnes. A gasolina subiu 3,42%, enquanto a energia elétrica avançou 2,59%. Juntos, os dois responderam por 75% de toda a inflação no mês. Sob pressão da demanda chinesa por proteína bovina brasileira, as carnes ficaram 3,68% mais caras, contribuindo com os 25% restantes da inflação em julho.

“O IPCA está retratando muito bem o cenário econômico brasileiro. Houve queda de preços nos serviços pessoais, que são os mais afetados pela pandemia. É a demanda enfraquecida mesmo. As pessoas estão com medo de sair, estão destinando renda para os alimentos, alguns serviços são considerados mais supérfluos. A perspectiva é de taxas de inflação muito baixas nos próximos meses”, avaliou Maria Andréia Parente Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A despeito da flexibilização das medidas de isolamento social, a maior movimentação de consumidores nas ruas ainda não influenciou os preços. Os serviços, mais sensíveis à demanda, voltaram a registrar deflação: -0,11%. “Não há sinal de pressão de demanda por enquanto”, afirmou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Segundo Kislanov, os consumidores estão comprando menos em alguns setores, o que explica reduções consecutivas de preços, como no caso de artigos de vestuário, que já recuam pelo terceiro mês seguido. Ele lembrou que o mercado de trabalho (nível de empregos e salários) também influencia na calibragem de preços em relação à demanda, e não apenas a reabertura dos estabelecimentos.

“Estou em trabalho remoto. Minha demanda por roupas, por camisa social para trabalhar, acaba sendo muito menor”, exemplificou Kislanov. “A gente está num cenário de retração econômica, precisa levar isso em consideração. Produtores e vendedores de bens e serviços não têm muita margem para aumentar preço. Tem capacidade ociosa grande na economia, muitas pessoas perderam seu emprego, sua renda. Uma retomada de trabalhos e salários vai ser gradual”, acrescentou.

Agosto. Para o fechamento de agosto, economistas esperam que a inflação tenha menor força, com a captação pelo IPCA dos descontos nas mensalidades escolares concedidos por escolas particulares. “O IBGE praticamente só coleta preços de educação em fevereiro e agosto, então, todos os descontos do ano vão aparecer agora”, explicou a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.

A taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 2,13%, em junho, para 2,31% em julho, ante uma meta de 4% perseguida pelo Banco Central este ano.

O economista-chefe da gestora de recursos Ativa Investimentos, Étore Sanchez, prevê que a inflação encerre o ano em 1%.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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