O mercado global de energia está sofrendo uma transformação, catalisada pela invasão russa à Ucrânia. A escala e o impacto a longo prazo das mudanças ainda estão em debate.

A Agência Internacional de Energia alertou na semana passada que o mundo pode ser atingido pela maior crise de oferta em décadas se Moscou reduzir sua produção de petróleo à medida que as empresas evitam suas exportações e a demanda cai na Rússia.

Os mercados permanecem no limite. O preço do petróleo Brent, referência global, aumentou 4% nesta segunda-feira (21), para US$ 112 por barril, após um ataque às instalações de produção sauditas e uma pressão para os países da UE aderirem a um embargo de petróleo russo.

“Os investidores estão de olho nas principais negociações da Otan no final desta semana, com o objetivo de apertar as sanções à Rússia e a perspectiva de um embargo de petróleo europeu deve ser colocada na mesa mais uma vez”, disse Susannah Streeter, analista sênior de investimentos e mercados da Hargreaves Lansdown.

Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália já proibiram as importações de petróleo russo, afetando cerca de 13% das exportações da Rússia. A agressão contínua de Moscou pode trazer a União Europeia a bordo, um movimento que pode levar a uma mudança radical na forma como o continente compra sua energia.

“Acho que é inevitável começar a falar sobre o setor de energia. E definitivamente podemos falar sobre petróleo, porque é a maior receita do orçamento russo”, disse Gabrielius Landsbergis, ministro das Relações Exteriores da Lituânia, na segunda-feira, antes de uma reunião de ministros da UE.

A Irlanda sinalizou que também poderia apoiar a proibição das importações de petróleo, embora os preços do gás natural estejam muito altos na Europa e um embargo possa colocar em risco o fornecimento da Rússia.

“Olhando para a extensão da destruição na Ucrânia agora, é muito difícil — na minha opinião — defender que não deveríamos entrar no setor de energia, particularmente petróleo e carvão”, disse o ministro das Relações Exteriores irlandês, Simon Coveney.

No final desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chega à Europa para reuniões com a OTAN, líderes da UE e uma reunião do G7. A energia estará no topo da agenda.

Além disso, a União Europeia já delineou planos para reduzir as importações de gás natural da Rússia este ano, encontrando fornecedores alternativos, acelerando a mudança para energia renovável, reduzindo o consumo por meio de melhorias na eficiência energética e prolongando a vida útil das usinas de carvão e nuclear.

Houve outro grande sinal de mudança no fim de semana, quando a Alemanha — o maior cliente de gás da Rússia — fez progressos em um grande acordo para comprar gás natural liquefeito (GNL) do Catar.

A QatarEnergy disse no domingo (21) que o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, confirmou durante uma reunião com autoridades do Catar que Berlim estava acelerando o desenvolvimento de dois terminais de recebimento de GNL.

“Os dois lados concordaram que suas respectivas entidades comerciais se reengajariam e avançariam nas discussões sobre o fornecimento de GNL de longo prazo do Catar para a Alemanha”, disse a QatarEnergy em comunicado.

A Agência Internacional de Energia, que monitora as tendências do mercado de energia para as nações mais ricas do mundo, está pressionando os governos a considerar outras mudanças.

A agência divulgou na semana passada um plano de emergência de 10 pontos para reduzir a demanda por petróleo, que inclui reduzir os limites de velocidade nas rodovias em pelo menos 10 km/h, trabalhar em casa até três dias por semana, sempre que possível, e domingos sem carros nas cidades.

Outras etapas do plano de emergência incluem aumentar o compartilhamento de carros, usar trens de alta velocidade e noturnos em vez de aviões, evitar viagens aéreas de negócios quando possível e incentivar caminhadas, ciclismo e transporte público.

Se totalmente implementadas, as medidas reduziriam a demanda mundial de petróleo em 2,7 milhões de barris por dia em quatro meses. Isso é igual ao óleo consumido por todos os carros na China, disse a IEA.

Fonte: CNN Brasil