Consumo de combustíveis não terá recuperação plena

Consumo de combustíveis não terá recuperação plena

Os revendedores gaúchos de combustíveis, nessa fase da pandemia de coronavírus, podem ver o copo meio cheio ou meio vazio. Se por um lado as vendas estão crescendo gradualmente, por outro os agentes desse setor admitem que o patamar de antes da propagação do vírus irá demorar para ser alcançado. A estimativa do presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, é que a comercialização fique a cerca de 80% do que era.

O dirigente ressalta que o aumento do consumo ainda depende da abertura do comércio e de outras atividades como as escolares. No entanto, ele enfatiza que mudanças de hábitos do consumidor e a crise econômica afetarão o desempenho do segmento. Dal’Aqua informa que nas últimas semanas de abril e nos primeiros dias de maio foi verificado no Estado uma queda de 23% no consumo da gasolina, 13% no diesel e 61% no etanol, em relação ao mesmo período do ano passado.

Outra dificuldade que os revendedores enfrentarão, adianta Dal’Aqua, será o repasse dos aumentos de valores da gasolina verificados nas refinarias da Petrobras. Nesta quinta-feira (21), a estatal realizou um incremento de 12% em cima desse combustível. Todo esse cenário vai fazer com que os postos precisem ser mais ágeis e enxutos, aponta o presidente do Sulpetro. “O cliente vai valorizar cada vez mais o seu dinheiro e vai querer o retorno do serviço”, adverte. Esse panorama afeta a margem dos revendedores que, segundo o dirigente, vem caindo e está atualmente na ordem de 10%. Dal’Aqua foi um dos participantes do evento Lide Talks, promovido pelo Lide Rio Grande do Sul, nessa quinta-feira.

Outro integrante do evento, o diretor da Rede Buffon, Ildo Buffon, também acredita que a volta do consumo de combustíveis não se dará nos mesmos níveis pré-pandemia. Ele diz que será necessário compreender o novo perfil do consumidor e qual volume de combustível que esse motorista passará a utilizar. O executivo frisa que muitas atividades sofreram mudanças como, por exemplo, o maior uso do home office e isso implicará reflexos para os revendedores. “As pessoas que passavam na frente do posto todo dia, não vão passar mais”, ressalta.

Já o gerente executivo comercial da região Sul da Rede Ipiranga, Márcio Burtet, argumenta que a diversidade de operações do grupo ajudou a empresa a amenizar os impactos do coronavírus. Ele recorda que a Ipiranga conta com mais de 7 mil postos com sua bandeira no Brasil, sendo mais de 1 mil deles no Rio Grande do Sul, mais de 2,2 mil lojas de conveniência am/pm, sendo 400 no Estado, e 1,5 mil pontos Jet Oil, sendo 270 gaúchos.

Burtet reforça que a abertura do comércio em Porto Alegre implicará o aumento da circulação de pessoas e isso repercutirá na venda de combustíveis. O representante da Ipiranga antecipa que, após a pandemia, o negócio de combustíveis terá mais interações digitais e os postos precisarão estar preparados para isso.

Fonte: Jornal do Comércio

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