Demanda por assinatura aumenta no setor, diz Absolar

Demanda por assinatura aumenta no setor, diz Absolar

O aumento das contas de luz em meio à crise hídrica que afeta os reservatórios das hidrelétricas e a consolidação do mercado de geração distribuída no Brasil têm levado consumidores de menor renda a procurar alternativas ao fornecimento de eletricidade pelas distribuidoras de energia no mercado cativo.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, aumentou, nos últimos meses, a procura de consumidores das classes C e D por projetos de assinatura de energia solar. Baseado no modelo de geração distribuída, que permite que o consumidor produza sua energia na própria residência ou de forma remota, algumas companhias têm oferecido a opção de assinatura de energia solar.

Desse modo, o consumidor pode passar a receber a energia elétrica de uma usina de geração solar localizada na mesma área de concessão da distribuidora da região em que mora, sem necessidade de desembolsar o investimento para a instalação de um projeto em seu telhado.A fatura mensal passa a ser paga à empresa de geração solar distribuída e não mais à concessionária de distribuição.

O modelo é atraente pois projetos de geração própria normalmente requerem acesso a financiamentos, além da necessidade de o usuário ser o proprietário do imóvel, o que dificulta o uso por pessoas que vivem de aluguel. Sauaia explica que os modelos de “assinatura” podem levar a uma economia de 5% a 15% na tarifa, dependendo da área de concessão.

“Temos visto um aumento da procura das classes C e D pela energia fotovoltaica. Isso reflete o peso que a energia elétrica tem assumido nos orçamentos das famílias, um custo que é ainda mais significativo para as famílias de baixa renda, quem têm uma parte importante de seu orçamento mensal destinado às contas de energia”, diz Sauaia.

A pressão nas contas de luz do mercado regulado vai crescer ainda mais em setembro, quando passa a valer a bandeira tarifária da “escassez hídrica”, que vai custar R$ 14,20 adicionais a cada 100 quilowatts por hora (kWh) consumidos. Na previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o acionamento da nova bandeira trará um impacto de 6,78% nas contas dos consumidores.

Nesse contexto, uma das empresas que viu a base de clientes de menor renda crescer nos últimos anos foi a Órigo Energia, que atende a clientes em Minas Gerais. Hoje, 40% dos clientes da empresa são das classes B, C e D.

“É mentira que é só o rico que quer a energia solar. A base da Órigo hoje é um espelho da pirâmide social brasileira. Há uma pressão inflacionária forte, então existe uma demanda potencial para o cliente da energia ser mais ativo”, diz o presidente da companhia, Surya Mendonça.

O executivo destaca que a adoção da geração distribuída gera uma economia em torno de 15% da conta de luz para famílias com um consumo médio, o que ajuda a desincentivar os desvios de energia de maneira ilegal, os populares “gatos”.

No entanto, Mendonça aponta que um dos maiores desafios ainda é apresentar a solução à população. Ele explica que, para chegar a essa camada da população, a companhia aposta em estratégias de divulgação digitais.Para ler esta notícia, clique aqui.

Fonte: Valor Econômico

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