Distribuidoras temem corrida aos postos sem subsídio

Distribuidoras temem corrida aos postos sem subsídio

Com o fim do subsídio do diesel marcado para o dia 31 de dezembro deste ano, as principais distribuidoras do país mostram preocupação com uma possível corrida aos postos de combustíveis. O presidente da BR, Ivan de Sá, disse que ninguém sabe o que vai acontecer a partir do dia 1º de janeiro. Ele participou de um painel promovido pelo jornal Valor Econômico, na Rio Oil & Gas, no Riocentro. A BR tem cerca de 8.000 postos no Brasil.

— Se houver corrida aos postos, vamos estar preparados para isso, com aumento dos estoques. Hoje, essa política de estoques está normal. Mas, se houver essa sensibilidade, vamos falar com os clientes para aumentar isso —afirmou Sá.

A preocupação ocorre porque o executivo disse que a BR está trabalhando com o cenário do fim do subsídio do diesel. O temor é que, com a alta do petróleo no mercado internacional, com o barril acima de US$ 80, haja um forte repasse aos preços nas bombas.

— Entendemos que haverá a volta da sistemática de preços livres. O aumento do preço do petróleo e do dólar causam preocupação em torno do preço que será praticado. Estamos preparados para qualquer cenário, como a criação de um colchão de tributos para amortecer a alta do petróleo — comentou Sá.

Na última quarta-feira, em palestra na Rio Oil & Gas, o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, destacou que o subsídio ao diesel é um tema importante a ser negociado e discutido com o governo de transição:

— O subsídio não é uma solução estrutural, de longo prazo. Mas tem que se pensar em uma solução estrutural para a questão.

QUEDA NAS VENDAS

A Raízen, segunda maior distribuidora do país, também demonstrou preocupação com uma possível corrida aos postos. A empresa suspendeu investimentos de até R$ 2 bilhões em logística por causa da interferência do governo no mercado de diesel. Durante o evento no Riocentro, o presidente da empresa, Luis Henrique Guimarães, defendeu que é preciso criar uma rampa de alta de preços por conta do fim do subsídio:

— Defendemos uma gradualidade. Dois meses passam rápido, e é preciso trabalhar firme. É preciso uma transição para o fim do subsídio, como uma rampa.

A crise gerada pela greve dos caminhoneiros reduziu as vendas das empresas, destacou Sá, da BR. Hoje, a companhia tem uma participado de cerca de 24% no país. Além disso, a BR ainda discute com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) o recebimento de cerca de R$ 25 milhões em relação ao diesel vendido com desconto por conta do subsídio.

— Com a greve, o volume de vendas em 2018 está menor que no ano passado. A economia poderia estar melhor, pois vem crescendo abaixo do que esperávamos. Além disso, o preço maior dos combustíveis está levando o consumidor a buscar opções mais baratas, como etanol e gás. E ainda houve uma racionalização do uso do carro — apontou Sá, que prevê investir cerca de R$ 1 bilhão neste ano, pouco mais que no ano passado. (Bruno Rosa)

Fonte: O Globo

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