Empresários defendem adoção de tributo único

Empresários defendem adoção de tributo único

O Instituto Brasil 200 lançou ontem manifesto a favor de um imposto único no país. O evento teve participação do vice-presidente Hamilton Mourão, que discursou para uma plateia de empresários a portas fechadas em um hotel na capital paulista. O documento tem a assinatura de 35 entidades da indústria e do comércio.

A proposta da entidade, fundada pelo empresário Flávio Rocha, do grupo Riachuelo, é que todos os tributos federais, estaduais e municipais sejam substituídos por um imposto sobre transações financeiras, aos moldes da antiga CPMF, com alíquota em torno de 2,5%, parte cobrada no débito, parte no crédito.

Para o presidente do Instituto Brasil 200, Gabriel Kanner, esse percentual permitiria ao governo manter a atual arrecadação, mas com uma base maior de contribuintes. Segundo ele, Mourão afirmou ser favorável a um imposto único. Ele teria pedido que o evento não fosse acompanhado pela imprensa, disseram os organizadores.

—O vice-presidente sinalizou apoio a nossa proposta —disse Kanner.

As entidades empresariais e sindicais que defendem um imposto único sobre transações financeiras argumentam que esse tipo de cobrança tende a acabar com a sonegação de tributos e reduzir o preço final dos produtos ao consumidor. Eles afirmam que, pelo fato de a cobrança ser automática, os recursos ficam disponíveis para o governo imediatamente.

Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileirados Fabricantes de Brinquedos( Abrinq),es tima que a transferência de pagamento de impostos federais como PIS/Cofins e IPI ao consumidor reduzirá o preço dos brinquedos entre 5% e 6%, além de fazer com que todas as vendas pela internet e a economia informal sejam tributadas, eliminando a sonegação.

O presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun, disse que, pelos estudos feitos para a proposta, seria possível arrecadar R$ 500 bilhões a mais por ano com o fim da sonegação.

— A ideia é que todo mundo pague um pouco — afirmou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

O movimento agora vai buscar parlamentares dispostos a incluir a proposta no debate sobre a reforma tributária no Congresso. Para Kanner, a ideia de um imposto sobre valor agregado (IVA) federal seria apenas um paliativo, porque se baseia em um sistema “burocrático e falido”.

Fonte: O Globo

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