Empresários pedem um ‘Plano Marshall’ para evitar colapso

Empresários pedem um ‘Plano Marshall’ para evitar colapso

Empresários avaliam que a crise gerada pela disseminação do novo coronavírus provocará grande impacto no sistema de saúde brasileiro, mas os estragos na economia real serão muito mais profundos, com possibilidade de desencadear um caos social no País. Eles pedem ações de grande impacto por parte da União. O presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, disse ver um risco de crescimento do desemprego para mais de 40 milhões de brasileiros em decorrência da pandemia da covid-19. “É um número assustador”, afirmou, em uma live com executivos de empresas como CSN, Eletrobrás, Stone e MRV. Ele defendeu a criação de

Primeiras medidas do BNDES

O banco anunciou que vai destinar R$ 55 bilhões para reforçar o caixa das empresas e apoiar trabalhadores, numa tentativa de reduzir os impactos na economia. Outras medidas serão divulgadas nas próximas semanas. um Plano Marshall – pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. “O que temos até agora de estímulos é uma gota no oceano. Tem de ser um plano de verdade, os números são assustadores”, afirmou. Na semana passada, a equipe econômica anunciou pacote de R$ 147 bilhões em estímulos à economia.

Empresários avaliam que a crise desencadeada pela disseminação do novo coronavírus provocará grande impacto no sistema de saúde brasileiro, mas os estragos na economia real serão muito mais profundos, com possibilidade de gerar um caos social no País. Eles pedem ações de grande impacto por parte da União.

O presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, disse ver um risco de crescimento do desemprego para mais de 40 milhões de brasileiros em decorrência da pandemia do Covid-19. “É um número assustador”, disse ontem em uma live com outros empresários. “Eu vi hoje (ontem) uma entrevista do presidente regional do Fed (o banco central americano) de St. Louis, James Bullard, dizendo que a taxa de desemprego irá subir de 3% para mais de 30% nos EUA causa da crise”, afirmou. “No Brasil, onde há mais de 10 milhões de desempregados, acredito que o impacto será muito maior.”

Benchimol defendeu a criação de um plano Marshall – pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. “O que temos até agora de estímulos é uma gota no oceano. Tem de ser um plano de verdade, os números são assustadores, o buraco é muito mais embaixo”, disse. Na semana passada, a equipe econômica liberou um pacote R$ 147 bilhões em estímulos à economia, com mais R$ 55 bilhões anunciados neste domingo pelo BNDES para ajuda às empresas e pessoas físicas(ver pág. B3).

Numa transmissão de duas horas pela internet, promovida pela XP, na qual participaram o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, o presidente da Stone, André Street e o fundador da MRV, Rubens Menin, Benchimol cobrou medidas mais robustas do governo federal para evitar o alta do desemprego e do caos social no País. “O risco é o aumento de pessoas passando fome e no número de assassinatos nos próximos meses.”

Steinbruch, Street e Menin também veem risco de paralisia da economia, principalmente das pequenas e médias empresas. “É preciso apoiar o comércio local. A cabeleireira, o dono de bar, o pequeno empreendedor já estão sentindo os impactos da crise”, afirmou Menin.

De forma geral, os empresários esperam uma mobilização nacional com ajuda do governo e do Congresso para que estimule medidas contraciclícas. “Sou liberal, mas é preciso medidas de apoio à economia”, disse Street, da empresa de meios de pagamentos.

Em resposta ao aumento do número de desempregados no País, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que mais de 20 milhões a 30 milhões de brasileiros serão impactados com as medidas já anunciadas. “Provavelmente vai se precisar de mais e vamos ajudar. Já estamos postergando os pagamentos, reduzindo a taxas de juros.”

Fonte: O Estado de S.Paulo

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