Gasolina de aviação com indícios de adulteração danifica aviões de pequeno porte e causa preocupação

Gasolina de aviação com indícios de adulteração danifica aviões de pequeno porte e causa preocupação

Nas últimas semanas, proprietários de aviões a pistão em todo o país têm reportado problemas com a gasolina de aviação, a AVGas. Conforme relatos de pilotos em redes sociais, o produto tem provocado vazamentos e corrosão no revestimento emborrachado dos tanques de combustível e nos aneis de vedação, o que pode levar a falhas na alimentação de motores.

A suspeita é de que o AVGas esteja contaminado com solventes.

Diante do aumento de casos, a Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (AOPA) fez uma denúncia à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e está sugerindo aos pilotos que recolham amostras da gasolina e solicitem testes de qualidade ao representante do último ponto de abastecimento. A associação pede ainda aos pilotos que relatem os incidentes ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica.

A Petrobras costumava produzir o AVgas na refinaria de Cubatão, mas começou a importar o produto em meados de 2018, quando a refinaria teve que parar para manutenção.

A AOPA e toda a comunidade de proprietários de aviões a pistão vem reclamando desde o ano passado de problemas de abastecimento de AVGas e dos preços.

Boa parte da frota a pistão do pais está parada ou com horas reduzidas pela falta do produto e por preços considerados abusivos.

Procurada, a Petrobras informou estar ciente do problema e que vai colaborar e contribuir com a investigação das causas dos problemas. A estatal diz ainda não ser a única importadora do produto no Brasil.

Já a Anac confirmou que recebeu a denúncia da AOPA Brasil. A agência emitiu nesta quinta um Boletim de Aeronavegabilidade aos operadores de aeronaves. A agência recomenda que, “caso exista histórico ou evidências de contaminação, os operadores busquem imediatamente uma oficina de manutenção aeronáutica credenciada para uma avaliação mais detalhada. Ao receber esse tipo de caso, as oficinas de manutenção aeronáutica devem reportar tempestivamente ao Sistema de Dificuldade em Serviço (SDR) da Anac”.

A Anac diz ainda que cabe à Agência Nacional de Petróleo (ANP) fiscalizar a distribuição, a qualidade da composição e demais atividades relacionadas ao combustível no Brasil e que caso seja identificado irregularidades, pode recorrer a medidas cautelares para garantir a segurança: “Com as informações recebidas da comunidade aeronáutica e com a avaliação feita pela ANP, a ANAC poderá avaliar potenciais impactos na aviação geral. Caso seja identificado, a ANAC atuará imediatamente em prol da segurança da aviação, podendo, inclusive, recorrer a medidas cautelares e emergenciais.”

Leia íntegra da nota da Petrobras:

“A Petrobras tomou conhecimento do problema técnico identificado pelo segmento de aeronaves de pequeno porte. A companhia reforça que todos os produtos comercializados pela companhia atendem plenamente aos requisitos de qualidade exigidos pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que seguem padrões internacionais, e se prontifica em colaborar e contribuir, em um trabalho conjunto com a Anac, Cenipa, ANP e distribuidoras de combustível, na investigação das causas dos problemas relatados.

A Petrobras esclarece também que não é a única importadora de GAV.

A reforma da planta produtora de GAV sofreu atraso devido à interrupção das obras causada pela pandemia da Covid-19. A produção deverá ser reiniciada em outubro de 2020.”

Fonte: O Globo

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