Governo descarta subsídio para preço de gasolina, etanol e biodiesel na bomba

Governo descarta subsídio para preço de gasolina, etanol e biodiesel na bomba

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse nesta sexta-feira, 8, que o governo não discute a adoção de subsídios para outros combustíveis além do óleo diesel, já anunciado pelo governo em função da greve dos caminhoneiros.

‘Não’ para o mercado. O secretário do Tesouro Nacional também destacou que o governo conta atualmente com um colchão de liquidez de R$ 575 bilhões, o que deixa o Tesouro com um caixa confortável para, se necessário, cancelar leilões de títulos públicos “até que a situação melhore”. “Não temos pressão para fazer leilões de títulos”, afirmou.

O governo vende títulos de dívidas para financiar investimentos. Alguns desses títulos, com vencimentos de longo prazo, são precificados com base na taxa futura do juros. Nesta sexta-feira, 8, os juros com vencimento de dez anos estavam sendo comercializados em torno de Mansueto disse que foi procurado pelo mercado para colocar à venda R$ 20 bilhões em títulos de longo prazo, mas que não pretende fazer isso por considerar que o mercado de juros futuros, hoje, não condiz com a realidade.

“O Tesouro não define a taxa de juros adequada, estamos sinalizando que o cenário é de inflação baixa, então não faz sentido vender título longo com taxa de 13% ao ano. Ninguém espera que o Brasil terá taxas de inflação tão altas”, afirmou.

O secretário afirmou também que as equipes do Ministério da Fazenda têm mantido contato semanal com o Banco Central e há “sintonia perfeita” entre os dois órgãos e o Ministério do Planejamento. “Tudo que está acontecendo na economia, todos os riscos, o que é normal em ano de eleição e com o cenário externo atual. Todo o mecanismo de coordenação da equipe econômica está funcionando”, disse.

Meta fiscal. O secretário do Tesouro Nacional disse ainda que não há risco de descumprimento da meta fiscal deste ano, que prevê déficit de até R$ 159 bilhões, após a concessão de subsídios ao preço do diesel. Segundo ele, o gasto adicional de R$ 6 bilhões poderá piorar o resultado primário, mas mesmo assim ele ficará de acordo com o objetivo fixado para o ano.

Almeida afirmou também que a arrecadação do governo tem sido um fator positivo e pode ajudar a minimizar o impacto do subsídio nas contas. “Até perto do fechamento de maio, a receita vinha tendo um bom comportamento, mesmo com a greve (dos caminhoneiros)”, disse.

Regra de ouro. Mansueto Almeida, no entanto, demonstrou preocupação para o futuro quanto a chamada Regra de Ouro, expediente constitucional que proíbe que o governo emita títulos de dívidas, como do Tesouro Direto, para custear as despesas correntes. Segundo ele, a regra terá que ser modificada no próximo ano.

Ele afirmou que a legislação não deixa claro quais instrumentos o governo pode utilizar para cumprir a regra e nem o sistema de punição em caso de descumprimento.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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