Governo não dará mais benefícios a empresários, afirma nº 2 da Economia

Governo não dará mais benefícios a empresários, afirma nº 2 da Economia

Número dois do Ministério da Economia, o secretário executivo Marcelo Guaranys disse que, mesmo com as projeções de crescimento do PIB em baixa, o governo não dará incentivos, subsídios e proteção ao setor produtivo. A nova diretriz, afirmou, é apostar no aumento da competitividade para impulsionar o crescimento. E atacou os empresários

que pedem benefícios. “Tem setor que quer demanda estável. Todo mundo quer ser funcionário público. O cara quer o mesmo salário, sem risco, trabalhando pouco, e se aposentar ganhando o mesmo salário. É isso que esses caras querem. Reclamam de funcionário público, mas querem ser iguais”, afirmou.

A equipe econômica não vai recorrer ao mesmo receituário de medidas de estímulo para a economia adotado em governos anteriores, disse o secretário executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, ao ‘Estadão/Broadcast’. Segundo ele, pacotes com incentivos, subsídios à custa da União e proteção a determinados setores não serão adotados. A nova diretriz, afirmou, é apostar no aumento da competitividade para impulsionar o crescimento.

Mesmo com as projeções para o crescimento do PIB em queda e o aumento na cobrança de empresários por uma agenda que vá além da reforma da Previdência, o número dois da Economia disse que a fórmula adotada no passado se esgotou. “É um novo mundo. A gente não tem dinheiro para gastar, mais benefício para dar”, afirmou em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo. Guaranys criticou a postura do empresariado. “Tem setor que quer demanda estável (…) Reclamam de funcionário público, mas querem ser iguais a eles”.

Embora a reforma seja considerada essencial, Guaranys afirma que todos os sete “vice-ministros” – como ele chama os secretários especiais – preparam medidas para desburocratizar e liberalizar a economia de forma gradual. Um dos objetivos é melhorar a competitividade do País, que hoje está na 80.ª posição entre 187 países no índice do Fórum Econômico Mundial que mede esse quesito.

Para o secretário, o Brasil tem esse desempenho ruim porque impõe um excesso de regulação sobre os setores, aumentando os custos de produção, e gasta mal os recursos públicos.

Além do Congresso. A equipe econômica já conta com alguns projetos tramitando no Legislativo. “Eu tenho de avaliar o que vale a pena jogar para o Congresso ao mesmo tempo que eu estou jogando a Previdência”, explica. Além da reforma, há uma série de medidas provisórias para consolidar a reformulação dos ministérios, combater fraudes na Previdência, facilitar a entrada do setor privado na área de saneamento e permitir o capital estrangeiro nas empresas aéreas. Por isso, o cálculo agora, diz o secretário, é adotar o máximo de medidas que não dependam dos parlamentares.

Muitas passam pela articulação com os setores. Ele cita como exemplo o programa Prómercados, desenvolvido pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), com o objetivo de reduzir barreiras que dificultam a competição entre empresas.

“Só que uma barreira de concorrência não necessariamente está dentro da alçada da secretaria. É sempre convencer alguém a fazer alguma coisa. O mercado de gás, por exemplo. Não temos a caneta para ir lá e abrir. Temos de articular com as outras pastas para buscar as medidas.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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