Governo vai se reunir com caminhoneiros

Governo vai se reunir com caminhoneiros

Diante da possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, vai receber na próxima semana, em Brasília, lideranças da classe dos caminhoneiros. O objetivo é discutir, entre outros pontos, a nova tabela de preços mínimos do frete rodoviário, que causou insatisfação entre os motoristas.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, embora seja um direito de todos, espera que os caminheiros não entrem em greve. Ele disse que o Parlamento precisa fazer sua parte, referindo-se à aprovação do projeto de lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). — Acredito que caminhoneiros não façam paralisação porque isso atrapalha muito a economia. Reconhecemos a dificuldade na carreira e estamos prontos para continuar conversando, mas estamos em um país livre e democrático onde impera o livre mercado. Greve atrapalha o Brasil — afirmou.—Eu mesmo já fiz alguma coisa, falta o Parlamento fazer sua parte, aumentando a validade da carteira de motorista de cinco para dez anos, aumentando a pontuação de 20 para 40 pontos. A movimentação entre os caminhoneiros começou depois de a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgar, na quinta-feira, resolução com uma nova tabela para o frete. Esta foi feita a partir de um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP. O objetivo foi adequar os preços aos diferentes tipos de carga, rotas e veículos. A nova tabela entra em vigor hoje.

‘TABELA DE CUSTOS’

A categoria, no entanto, considera os novos preços financeiramente inviáveis. Segundo representantes da categoria, os valores não levaram em conta o lucro dos caminhoneiros na hora de fixar os valores do frete, apenas os custos da viagem, como combustível, pedágio, entre outros, o que reduziu os preços que vinham sendo cobrados até a quarta-feira. Por enquanto, a disposição dos caminhoneiros é conversar com o governo. Mas, em alguns grupos de WhatsApp, já há motoristas que falam abertamente em uma nova paralisação.

— É uma tabela de custos. Os valores são oque o caminhão gasta parai revoltar numa viagem. Ali não tem nenhuma remuneração, nenhum lucro, nada. As grandes transportadoras, que não têm consciência, vão pagar o que determina alei. Os valores já começaram acair—diz Wanderlei Alves, o Dede co, líder da categoria no Paraná. Ele dá como exemplo uma viagem de 2,7 mil quilômetros, cujo frete mínimo cobrado antes da publicação da tabela era de R$ 13.770. Agora, já há transportadoras pagando R$ 10 mil pela mesma viagem, uma queda de 27,38%. —Sabíamos que estava sendo feito um estudo de custos. Mas fomos pegos de surpresa, porque a remuneração também teria que ser embutida na tabela. Foi uma frustração —disse Dedeco.

Ele disse já ter conversado com o ministro dos Transportes por telefone, e contou que este também teria se mostrado surpreso.

— O meu conselho para o ministro é que revogue essa resolução, que já está dando problema e vai dar muito problema até segunda-feira. Se a categoria decidir parar, o governo será notificado e nós vamos parar. Mas não antes de uma conversa com as instituições —afirmou Dedeco.

EXCESSO DE CRÉDITO

Outro líder da categoria, Wallace Landim, o “Chorão”, também reclamou da tabela, afirmando que os valores não cobrem nem o custo.

Ao falar sobre a questão, Bolsonaro disse que os problemas começaram sob o PT: — O BNDES ofereceu crédito em excesso para a compra de caminhões, cresceu a frota assustadoramente, e o transportado permaneceu igual. Lei da oferta e da procura. Caiu o preço do frete.

Fonte: O Globo

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