Guedes irrita parlamentares ao cobrar aprovação de reformas que não foram enviadas

Guedes irrita parlamentares ao cobrar aprovação de reformas que não foram enviadas

 Presente em reunião entre a cúpula do Congresso e integrantes do Executivo marcada às pressas para discutir o coronavírus, o ministro Paulo Guedes (Economia) irritou parlamentares ao cobrar aprovação de reformas que o governo não mandou para o Legislativo.

Segundo relatos, ele não se estendeu sobre os possíveis impactos concretos da doença no país e não propôs nada.

Guedes reforçou a parlamentares que a melhor saída para enfrentar a crise causada pela disseminação do coronavírus é acelerar as reformas.

— Estamos fazendo um trabalho interessante. Há cobranças de parte a parte. É normal. É uma cooperação. Nós temos que trabalhar juntos. A luta política existe. Mas a saúde do povo brasileiro está acima da luta política. Chegou o momento, agora, que não dá pra brigar. Agora, é um problema de saúde pública e de impacto econômico — afirmou o ministro.

Em contraponto a Guedes: Rodrigo Maia diz que tocar reformas não basta para conter crise

O encontro começou às 20h30 e ocorre na Câmara dos Deputados. Além de Guedes, participam os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e os ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria da Presidência).

Segundo um líder de centro, causou insatisfação a falta de propostas concretas do Ministério da Economia para evitar impactos da crise econômica no Brasil. Na avaliação deste parlamentar, a fala de Guedes pode ser comparada mais a uma palestra sobre história econômica.

Entenda:Por que o Brasil não atrai mais investimentos? Empresários e especialistas explicam

Havia uma expectativa de que o ministro analisasse, por exemplo, impactos em setores específicos da economia, o que não ocorreu. Guedes usou o tempo para afirmar que as propostas estão “caminhando”, embora ainda não tenha enviado ao Congresso reformas como a administrativa e a tributária.

Reformas: ‘Tensão entre Executivo e Legislativo dificulta agenda econômica’, alerta economista

O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que foi presidente da comissão da reforma da Previdência, disse que o início da reunião foi marcado por um “diagnóstico muito preciso da saúde pública (feita por Mandetta) e um diagnóstico impreciso e um otimismo desconectado da realidade na econômica”.

– Esse é meu resumo. Ministro tem falado na necessidade de R$ 5 bilhões (para o enfrentamento ao coronavírus). Mas fez mais um apelo de atitude colaborativa, que o Congresso sempre teve, e que a recíproca não é verdadeira. O ministro Guedes demonstra entusiasmo desconectado da realidade – disse.

Guedes causou burburinho entre os parlamentares ao afirmar que, para aprovar reformas, era importante evitar piora no clima político. Alguns deputados e senadores se ofenderam com a colocação e comentaram que as últimas turbulências na relação entre os Poderes foram criadas por declarações de Guedes e do presidente Jair Bolsonaro.

Um líder governista diz que “Guedes botou a culpa no Parlamento pela crise do coranavírus”.

– Diz que a gente tem que continuar a votar reforma. Que reforma, se o governo não manda nada? – questionou.

Gustavo Loyola: ‘Baixar os juros traz o dilema do impacto no câmbio’

Para o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), o governo ainda não apresentou um plano econômico de curto prazo para lidar com a epidemia do COVID-19. De acordo com o senador, o ministro da Economia apresentou um “preâmbulo”, mas ainda é preciso apresentar uma agenda emergencial.

– É preciso ter um plano emergencial diante da gravidade do coronavírus, seja do ponto de vista da saúde pública quanto da Economia. Com relação às preocupações na área econômica, nós estamos esperando que haja um plano de curtíssimo prazo e um plano de médio e longo prazo. Esse plano de médio e longo prazo o Congresso já vem tocando. Até agora, (a Economia) não tratou dessa agenda de curto prazo – afirmou o líder.

Fonte: O Globo

No Comments

Post A Comment