A guerra no leste europeu entre Rússia e Ucrânia está deixando o petróleo internacional cada vez mais caro. Com isso, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) avalia que será difícil a Petrobras manter os preços dos combustíveis sem elevação no Brasil. Um novo reajuste pode gerar um aumento de até R$ 0,90 por litro da gasolina e do diesel.


Entre os critérios adotados para realizar a precificação dos combustíveis no país, está o preço de paridade de importação (PPI), que tabela o preço do barril de petróleo em todo o mundo. O último reajuste no preço dos combustíveis foi anunciado em 11 de janeiro. Com as iniciativas da Petrobras de tentar segurar o valor dos combustíveis, o PPI apresenta uma defasagem de 25%, a maior dos últimos 10 anos.


O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes, Paulo Miranda, avalia que um reajuste de preço pode gerar um aumento de até R$ 0,84 por litro da gasolina, e de R$ 0,90 no litro do diesel.


“O chamado PPI é um critério adotado pela Petrobras, mas também praticado no mundo inteiro por todas as companhias petrolíferas. Hoje barril de petróleo está sendo vendido a $ 113, há 2 meses atrás, antes da guerra, esse barril estava em torno de $70. A Petrobras produz 75% do combustível consumido no Brasil e ela tem que importar os outros 25% para inteirar o consumo interno. Se ela não adotasse a questão da paridade ela ia importar mais caro e vender mais barato aqui dentro, isso causaria prejuízos para Petrobras como já aconteceu no passado. A defasagem hoje está em torno de 25% a 27%. Se a Petrobras hoje reajustasse de acordo com a paridade internacional nós teremos um reajuste em torno de R$ 0,90 no diesel e R$ 0,84 na gasolina”, explica.


Paulo Miranda também argumenta que a Petrobras não deve aguentar segurar o preço por muito tempo já que, segundo ele, esta é uma decisão exclusivamente política da presidência da república.


“No atual cenário do Petrobras não vai conseguir segurar os preços do combustível dentro do Brasil durante muito tempo, porque hoje ela está usando os estoques que ela tem comprado mais barato há uns 30 a 60 dias atrás. A Petrobras está segurando um pouco, acredito que essa é uma decisão política já que o presidente Bolsonaro tem reclamado muito dos preços combustível no mercado interno e consequentemente a Petrobras está demorando um pouco para repassar isso. Ela não vai conseguir fazer isso durante muito tempo”, afirma.


O presidente da Fecombustíveis alerta que o cenário é bastante incerto e que, caso não haja uma mudança na cobrança de impostos, dificilmente os impactos não serão sentidos no bolso dos consumidores.


“A Fecombustíveis ela espera no curto prazo alguma reação da Petrobras. A decisão é exclusivamente política, nós temos hoje no senado duas PECs que abordam esse tema. Seria diminuir os impostos. Caso eles consigam diminuir os impostos eu acho que talvez o consumidor sofra menos impacto na hora que a Petrobras atualizar os preços, mas, infelizmente, no nosso entendimento acho que a Petrobras não vai conseguir segurar isso por muito tempo”, finaliza.

Fonte: Rádio Itatiaia