As importações líquidas de diesel e gasolina no Brasil caíram em janeiro, aponta o relatório mensal da consultoria S&P Global Commodity Insights, antecipado ao Valor. Ao todo, o volume importado de gasolina no mês ficou praticamente zerado, enquanto as importações de diesel ficaram em 105 mil barris por dia (barris/dia), em média, menor volume desde setembro de 2018.

O gerente de análise de preços de petróleo e perspectivas regionais da consultoria, Lenny Rodriguez, diz que dados preliminares indicam que as importações de diesel cresceram levemente em fevereiro, para 130 mil barris/dia. A consultoria aponta que o percentual da demanda nacional por diesel que é atendida por importações tem caído.

Nos últimos meses, importadores de combustíveis têm reclamado que a Petrobras estaria praticando preços no mercado interno abaixo da paridade internacional, o que estaria inviabilizando a concorrência e, consequentemente, impediria as operações de importação.

O último reajuste de preços da estatal ocorreu no dia 11 de março, quando o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passou a ser de R$ 3,86 por litro para a gasolina e de R$ 4,51 por litro para o diesel. O aumento ocorreu depois da alta nos preços internacionais com a guerra na Ucrânia.

Os dados mais recentes da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontam que até a manhã de ontem os preços praticados para a Petrobras para a gasolina estavam com uma defasagem média de 8% em relação aos do mercado internacional, o que indicaria necessidade de um aumento de R$ 0,33 por litro no combustível. Já os preços do diesel estariam 11% abaixo da cotação internacional, com uma defasagem de R$ 0,58 por litro.

A S&P Global lembrou que, nesse contexto, algumas empresas têm demonstrado preocupação com um possível desabastecimento de diesel no país. Isso ocorre porque as refinarias locais não conseguem atender a toda a demanda nacional.

Ainda assim, a consultoria acredita que as refinarias brasileiras tentarão maximizar a produção de diesel. De acordo com os dados de janeiro, o processamento de petróleo nas refinarias nacionais ficou acima da média para o mês e chegou a 1,83 milhão de barris/dia, aumento de 110 mil barris/dia em relação a janeiro de 2021.

Segundo a consultoria, o fator de utilização das refinarias da Petrobras estaria em cerca de 89% durante o mês de março, aumento em relação aos dois meses imediatamente anteriores.

A previsão da S&P Global é que o processamento nas refinarias brasileiras fique em 1,8 milhão de barris/dia no segundo trimestre deste ano, aumento de cerca de 12% na comparação anual.

Para a consultoria, a dinâmica no mercado de diesel no Brasil no curto prazo vai sofrer influência, além da alta nos preços de combustíveis, do enfraquecimento da economia e do aumento da inflação. “As ações do governo para suavizar os preços do diesel na bomba vão ajudar a manter o consumo nos próximos meses, mas a contração da economia pode deter a demanda em algum nível”, diz Rodriguez.

De acordo com a consultoria, o consumo de diesel cresceu em janeiro, ao mesmo tempo em que a demanda por combustíveis do ciclo otto (gasolina e etanol) caiu para 820 mil barris por dia (barris/dia) no mês, o menor volume para o mês desde 2013. Entretanto, a queda pode ter sido causada pelo aumento das infecções de covid no começo do ano no país, indicou a S&P Global.

Fonte: Valor Econômico