‘Lobby contra reforma está em Brasília’, diz Guedes

‘Lobby contra reforma está em Brasília’, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem não ter dúvidas de que a reforma da Previdência será aprovada pelo Congresso com uma previsão de economia de R$ 1 trilhão. Porém, sem mencionar diretamente as categorias que terão de dar uma fatia maior nas alterações do sistema previdenciário, Guedes se queixou de que as forças contrárias à proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso estão concentradas em Brasília, e não no resto do país.

—A Previdência atual é uma fábrica de privilégios. Tira dos menos favorecidos e transfere aos mais ricos, e o que estamos querendo faze ré reduziras desigualdades. É evidente que o lobby contra a reforma está aqui em Brasília. Não é o Brasil —disse Guedes, ao abrir seminário sobre Previdência promovido pelos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas.

O secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, também mostrou otimismo:

— Hoje, de 250 a 270 deputados

publicamente já falaram a respeito do tema, favoravelmente: “Voto na reforma, menos neste ou naquele tema, mas votona reforma ”— afirmou,indicando que considera essas manifestações votos favoráveis em potencial.

‘SISTEMA É ÚNICO’

No mesmo evento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu que estados e municípios fiquem dentro da reforma da Previdência. Ele, no entanto, admitiu que sua posição não será levada em conta na votação. Isso porque há um forte movimento, que inclui o centrão, contrário à adequação dos governos estaduais às novas regras:

— Vai ser difícil que os estados entrem na reforma, mas eu, pessoalmente, solitariamente, defendo que o sistema é único. Não adianta resolver o problema da União e deixar que as previdências dos estados continuem gerando déficits enormes —afirmou.

Ele disse ainda que a alíquota previdenciária do Estado do Rio, hoje em 14%, é “extremamente baixa”:

—Não tenho chance de ganhar a eleição para o governo do Rio, mas se eu vencesse, a alíquota seria de 30%.

Assim como Maia, vários governadores querem que os estados sejam incluídos na reforma. Recentemente, os governos de sete estados do Sul e Sudeste do país assinaram documento em defesa da aprovação da proposta.

Maia enfatizou que as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural “estão fora do texto” por pressão dos parlamentares. Hoje o BPC, de um salário mínimo, é pago a partir de 65 anos. A reforma prevê que, a partir dos 60 anos, os idosos receberão R$ 400, chegando a um salário mínimo integral apenas com 70 anos. O governo também propõe o pagamento de contribuição previdenciária nas aposentadorias rurais.

ARMINIO: BOM PARA MAIORIA

Durante o Seminário de Metas para a Inflação, no Rio, Henrique Meirelles, que já presidiu o Banco Central (BC) e atualmente é secretário de Fazenda de São Paulo, disse que o estado apresentará uma proposta de reforma caso as unidades federativas fiquem fora do projeto na Câmara:

—Não sei a situação de outros estados, mas, em São Paulo, temos condição de aprovar uma reforma na Assembleia Legislativa.

No mesmo evento, o também ex-presidente do BC Arminio Fraga defendeu que a reforma é do interesse e “imprescindível” para a maioria dos estados. E fez um alerta:

—A tecnologia para estragar as coisas é conhecida: populismo, ignorância de ideias e propostas estapafúrdias, sempre buscando algum atalho.

Fonte: O Globo

No Comments

Post A Comment