Marinha nega mapeamentos de óleo feitos por universidades

Marinha nega mapeamentos de óleo feitos por universidades

A caça pela origem do vazamento de óleo e a identificação das manchas que chegam às praias do Nordeste provocaram um conflito entre a academia e o governo federal. A Marinha e o Ibama negaram ontem a existência de manchas identificadas próximo ao sul da Bahia por análises independentes da UFRJ e da Universidade Federal do Alagoas (Ufal).

Enquanto isso, o governo busca dar boas notícias. O presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou ontem que há uma “boa chance” de que o presidente Jair Bolsonaro anuncie “ainda esta semana” o navio responsável pelo derramamento de óleo. A investigação da Marinha está atualmente focada em dez embarcações.

Os levantamentos das universidades do Rio e de Alagoas foram baseados em imagens de satélite e observando propriedades físicas da substância presente na superfície do mar. A Marinha foi à região apontada pelo estudo da UFRJ —divulgado ontem pelo GLOBO — e, após quatro avaliações, negou que amancha fosse de óleo.

Ontem, pesquisadores da Ufal ampliaram a suspeita sobre acosta sul da Bahia, indicando oque seria um a mancha de óleo, de 55 km de extensão e seis km de largura, amenos de 60 km do litoral. Para o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), a extensão da mancha proporcionaria levantar hipóteses de que a poluição teria sido causada por um vazamento de minas de petróleo.

— Há dois meses fazemos um levantamento das manchas e pesquisamos fatores como a topografia do fundo do oceano e os abalos sísmicos, que poderiam comprometer a conclusão do estudo. E constatamos que, de fato, o que vimos é uma mancha de óleo — assegura o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Lapis.

PRÉ-SAL

A Marinha negou que o material identificado pela Ufal fosse óleo. E até o pré-sal foi citado, em tese, como um possível culpado pelas manchas de óleo, pelo diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges Oliveira.

Em depoimento ontem na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, Olivaldi revelou que“ uma das maiores autoridades no mundo, que é a Petrobras, diz que há mui toques e analisar ainda em relação a petróleo de pré sal. Então, agente não pode descartar isso”. Em seguida, porém, acrescentou que os laudos mostram que a substância “têm característica de óleo venezuelano”.

Já a Petrobras ressaltou que “os biomarcadores das amostras de óleo recolhidas no Nordeste não possuem características compatíveis com os óleos provenientes de reservas do pré-sal”.

Também ontem, o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado por Marinha, Ibama e Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou que já recolheu mais de 2 mil toneladas de resíduos de óleos no litoral nordestino. Ainda segundo o GAA, todas as praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba estão limpas.

Os estragosa o meio ambiente,porém, são visíveis. O GLOBO teve acessoa o laudo de necrópsia deu matar taruga-oliva encontrada em Jericoacoara, no Ceará, na manhã de 24 de setembro. O petróleo penetrou a carcaça, atingindo a traqueia, o esôfago e o intestino do animal, misturando-se às suas fezes. De sua contaminação à morte, passaram-se apenas dez dias.

Fonte: O Globo

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