Mercado prevê piora do cenário fiscal em 2019

Mercado prevê piora do cenário fiscal em 2019

A aprovação de vários novos gastos pelo Congresso Nacional contribuiu para aumentar a preocupação em relação às contas públicas do país e fez com que o Legislativo se tornasse mais uma das incertezas que pairam sobre a recuperação econômica. A perspectiva dos economistas para o rombo do ano que vem aumentou de R$ 117,9 bilhões para R$ 123,3 bilhões, segundo o relatório Prisma Fiscal, divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda. A pesquisa foi feita antes das medidas aprovadas recentemente e ainda nem leva em consideração a possibilidade de serem dados reajustes para servidores públicos no ano que vem, aprovada na madrugada de quinta-feira. Ou seja, a previsão para o déficit primário de 2019 pode crescer ainda mais na visão de analistas.

Além disso, os parlamentares têm votado benesses para vários setores num momento em que a economia ainda não reagiu. Uma delas foi desfazer uma medida tomada pelo governo para compensar o corte de imposto para o diesel. A equipe econômica tinha acabado com um benefício tributário ao setor de refrigerantes. O Senado Federal reverteu isso. As empresas continuarão a ter incentivo.

— Essa postura do Congresso é um fogo amigo. Como desatar esse nó e aumentar receita se não tem apoio do Congresso? — questionou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. — O relatório reflete isso. E vai ficar pior.

A perspectiva dos economistas é menor do que a meta para 2019, de manter o rombo em, no máximo, R$ 139 bilhões. O que tem afetado a avaliação do mercado são os sinais de que os gastos podem subir mais. Na crise dos caminhoneiros, por exemplo, o governo tomou medidas que custarão R$ 13,6 bilhões ao país. As sucessivas derrotas do governo no Legislativo contaminam as projeções.

Para este ano, economistas consultados no Relatório Prisma melhoraram sua avaliação: diminuíram a previsão de déficit de R$ 151,2 bilhões para R$ 149,6 bilhões. Mesmo assim, as estimativas para a dívida pioraram: passaram de 75,8% do Produto Interno Bruto para 76% do PIB. Esse é um reflexo da fragilidade fiscal do país. É para onde os investidores olham para avaliar a saúde das contas públicas.

O cenário para 2019 também se deteriorou de um mês para outro. Os entrevistados aumentaram a expectativa para o endividamento de 77,8% do PIB para 78,1% do PIB.

No mercado, no entanto, os investidores ignoraram a piora no cenário fiscal. Com um cenário externo de menor risco, o Ibovespa encerrou em alta de 1,97%, aos 75.865 pontos. Já o dólar comercial, após operar em queda durante grande parte do pregão, chegou a subir à tarde, mas terminou praticamente estável, com leve variação positiva de 0,07%, a R$ 3,885.

Fonte: O Globo

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