Dois dias após um vazamento de óleo atingir praias da Região dos Lagos, principalmente o Pontal do Atalaia e a Prainha, em Arraial do Cabo, a Petrobras reconheceu sua responsabilidade pela contaminação, sem informar, contudo, a origem ou a quantidade do material que foi parar no mar. De acordo coma prefeitura de Arraial, ontem foram recolhidos 240 quilos de resíduos no costão do Saco do Cherne, ponto de mergulhadores na região. Ali, foi encontrada a maior concentração do produto, que, segundo o Ibama, também chegou à Praia das Conchas, em Cabo Frio.

O trabalho de limpeza foi feito ontem por cerca de 40 funcionários da Petrobras, da prefeitura de Arraial do Cabo e de órgãos ambientais, além de mergulhadores e pescadores. O secretário do Ambiente de Cabo Frio, Arildo Mendes, afirmou que a situação está sob controle.

—A água está própria para banho e para pesca. O óleo não se mistura com a água. Existem pontos específicos, que já foram isolados. As praias não estão poluídas, e boa parte do material já foi recolhida —garantiu. Na quinta-feira, o Ministério Público Federal(MPF)realizou uma vistoria na área atingida pelo vazamento e avaliou que a situação era grave.

— O dano foi grande e a situação é absurda, por se tratar de uma unidade de conservação. Percebemos que o sistema é falho, e estudamos medidas judiciais para que seja dado acesso às entidades de fiscalização aos “DNAs dos petróleos” extraídos pelas plataformas — disse o procurador Leandro Mitidieri. Em nota, a Petrobras informou ontem que “resíduos de óleo proveniente de suas atividades atingiram algumas praias em Búzios e Arraial do Cabo”. Segundo a empresa, “equipes foram mobilizadas e estão fazendo monitoramento e limpeza da área. As causas estão sendo apuradas”.