Para presidente da Petrobras, BR não é a ‘joia da coroa’ da empresa

Para presidente da Petrobras, BR não é a ‘joia da coroa’ da empresa

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse ontem que a BR Distribuidora não pode ser considerada a “joia da coroa” da estatal. Ao reiterar sua estratégia de se desfazer de negócios na área de refino e distribuição para focar na exploração e produção de petróleo, principalmente no pré-sal, ele afirmou que a subsidiária de combustíveis tem um retorno baixo para a estatal.

—A grande joia da Petrobras é o expertise em exploração e produção. Nessa área, o retorno sobre o capital empregado foi de 11%, superior a todas as outras áreas. Se comparar a BR com os outros concorrentes, as despesas gerais por metro cúbico (de combustível) são maiores que seus competidores.

O retorno é baixo para nós —disse Castello Branco, em entrevista coletiva sobre os resultados do primeiro trimestre, divulgados anteontem, com lucro de R$ 4 bilhões, queda de 42% ante mesmo período de 2018.

Castello Branco afirmou que a estatal vai vender os 10% restantes das ações nas empresas de gasodutos TAG e NTS, vendidas para Engie e Brookfield, respectivamente. O executivo disse ainda que vai vender 70% dos campos de águas rasas:

— Dizem que há um desmonte da Petrobras. Mas isso é chavão. Estamos fazendo gestão de portfólio, desinvestindo em ativos que não são interessantes e investindo onde é interessante.

Segundo uma fonte do setor, apesar de a Petrobras se desfazer integralmente das empresas de gasodutos, os contratos do uso da capacidade dessa rede deverão ser mantidos.

A estatal também pretende se desfazer de parte dos 70% das ações da BR com as quais controla a distribuidora, mas Castello Branco disse que o modelo de venda ainda não foi definido. O executivo foi enfático ao afastara possibilidade de a BR participar da compra de refinarias que a estatal vai vender. Na véspera, o presidente da subsidiária, Rafael Gris olia, disse, em conferência com analistas, que“temo de verde olhar” uma possível participação no processo de venda das refinarias.

—A BR não participará de nenhum processo. Não faz sentido. Seria uma operação, como se dizia antigamente, Zé com Zé. Nossa ideia é vender 100% das refinarias listadas. Simples assim —disse Castello Branco.

Há duas semanas, a Petrobras anunciou que pretende vender oito refinarias, que podem processar 1,1 milhão de barris por dia, metade de sua capacidade, mas o executivo disse que o modelo de venda também não foi fechado.

— Queremos vender as refinarias sem ter monopólios regionais. É o que posso falar no momento. A BR não participará —afirmou.

Na frente de corte de custos, o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto, disse esperar adesão de 60% dos 7.460 funcionários elegíveis para o novo plano de demissão voluntária, aberto até junho de 2020. No alvo da estatal, que tem 47,2 mil empregados, estão funcionários já aposentados.

— Esperamos uma economia até 2023 de R$ 4,08 bilhões —disse.

RJ QUER REDUZIR ICMS DO ETANOL

O governador do Rio, Wilson Witzel, informou que vai enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei propondo a redução da alíquota do ICMS sobre o etanol de 32% para 24%, para reduzir o preço do combustível nas bombas. A medida restabeleceria a redução prevista em uma lei que expirou em dezembro de 2018. Segundo o governo estadual, a ação não vai reduzir a arrecadação, porque se espera aumento nas vendas. Mesmo com a redução, a alíquota de ICMS sobre o álcool no Rio continuaria uma das mais altas do país. Em São Paulo, por exemplo, é 12%.

Fonte: O Globo

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