Petrobras diz que está preparada para preços do petróleo de US$ 15 em 2020

Petrobras diz que está preparada para preços do petróleo de US$ 15 em 2020

A Petrobras está preparada para operar com preços do petróleo de US$ 15 em 2020, afirmou nesta sexta-feira (15) a diretora financeira e de relações com investidores da empresa, Andrea Almeida.

Segundo a executiva, para o longo prazo, a companhia reduziu a projeção do preço do petróleo Brent, de US$ 65 para US$ 50 o barril. “A gente não acredita mais que US$ 65 [o barril] é o preço de longo prazo. Esperamos preço de longo prazo de US$ 50 por barril. E ele [esse preço de longo prazo] virá em doses homeopáticas”, explicou ela.

O resultado da Petrobras no primeiro trimestre, um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, foi afetado por variações cambiais e pela baixa contábil realizada em função de ajustes nas projeções de preços do petróleo no longo prazo, afirmou Andrea. A empresa fez uma baixa contábil de R$ 65,3 bilhões.

No aspecto financeiro, a executiva, destacou, em mensagem de vídeo, que o desempenho no trimestre refletiu a queda do preço do Brent no período, sendo parcialmente compensado por maiores volumes de exploração. “Isso fez com que tivéssemos um sólido Ebitda no trimestre”, afirmou. O Ebitda ajustado da petroleira no primeiro trimestre foi de R$ 37,5 bilhões

A diretora destacou as linhas de crédito compromissadas que garantem um colchão de liquidez “adequado para enfrentarmos a crise”. Segundo ela, esse fator ocasionou “um pequeno aumento no nosso endividamento”. A companhia encerrou o trimestre com dívida bruta de US$ 89 bilhões.

“É importante esclarecer que os números que apresentamos no primeiro trimestre de 2020 não refletem a deterioração da economia global e do mercado de petróleo que estamos vivendo atualmente”, completou ela.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a pandemia de covid-19 e a consequente medida de distanciamento social mostrou que é possível a empresa trabalhar com 50% do efetivo nos escritórios. Com isso, explicou, a empresa poderá liberar vários prédios e reduzir custos.

O executivo, que participa de teleconferência com analistas sobre o resultado do primeiro trimestre destacou ainda que o mês de abril foi auge da contração do mercado no país.

O executivo destacou que, devido aos efeitos da crise, a companhia criou um comitê de liquidez e acumulou um caixa de US$ 15,5 bilhões. Segundo Castello Branco, esse valor representa o triplo do caixa mínimo que a empresa havia programado inicialmente. Ele lembrou ainda que foi criado um comitê para renegociar contratos com grandes fornecedores da empresa.

Segundo a diretora de finanças e relações com investidores, o caixa de US$ 15,5 bilhões dá tranquilidade à empresa para passar a crise.

Desinvestimentos

A Petrobras prevê que o valor das refinarias que estão em processo de venda não deverá ser afetado pela queda do preço do petróleo, afirmou a diretora de refino e gás natural da empresa, Anelise Lara.

“Em termos de ‘valuation’, não esperamos uma redução em função do preço do petróleo”, disse a executiva, em teleconferência com analistas sobre o resultado do primeiro trimestre.

“Temos visto uma competição grande. Vários potenciais interessados entram em contato conosco dizendo que mantêm interesse”, completou ela.

Segundo Anelise, a expectativa inicial da companhia era ter algumas vendas assinadas este ano. Mas, com a crise, a previsão agora é receber as ofertas vinculantes para essas refinarias no segundo semestre.

Fonte: Valor Investe

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