Petrobras sinaliza independência e reajusta combustível

Petrobras sinaliza independência e reajusta combustível

Após afirmar que não reajustaria de imediato os preços dos combustíveis diante de ataques à Arábia Saudita, a Petrobras aumentará a gasolina em 3,5% e o diesel em 4,2%. Para analistas, estatal preserva ambiente favorável à venda de ativos ao demonstrar independência de sua política de preços.

Dois dias após afirmar que estava acompanhando a variação do preço do petróleo no mercado internacional e que não faria ajuste de forma imediata nos preços dos combustíveis, a Petrobras informou ontem aseus clientes que vai aumentar o valor da gasolina em 3,5%, em média, e do diesel em 4,2% a partir de hoje. Com isso, a gasolina terá uma alta média de R$ 0,0596 em seu preço nas refinarias, e o diesel terá acréscimo de R$ 0,0916. A estatal não informou o valor final.

Para analistas, a decisão é um aforma de a estatal demonstrara independência de sua política de preços, corrigir valores que já estavam defasados e preservar o ambiente favorável aseu programa de venda de ativos, como refinarias.

O repasse para o consumidor depende da distribuição e dos postos de revenda. O aumento da Petrobras ocorre após o ataque a instalações de petróleo na Arábia Saudita, no último fim de semana, que afetou a produção da principal petroleira do país e provocou uma disparada da cotação do barril no mercado global no início da semana. A Arábia Saudita é o maior exportador da commodity, responsável por 10% da produção global.

2ª ALTA DO DIESEL EM 6 DIAS

A cotação do barril tipo Brent subiu 14% só nase gunda-feira, chegando aquase US $70. Depois, a cotação inverteu o movimento e fechou em queda de 6,5% na terça-feira. Ontem, encerrou o dia com recuo de 1,47%, cotado a US$ 63,60. Também houve impacto no

mercado financeiro.

Em meio à crise, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer na noite de segunda-feira, em entrevista à TV Record, que a Petrobras não iria ajustar preços. Ele contou ter conversado pouco antes com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e informou que, “como é algo atípico, ele não deve mexer no preço do combustível”. A declaração de Bolsonaro, segundo fontes, causou desconforto na direção da Petrobras.

Em seguida, a estatal enviou comunicado ao mercado informando que “decidiu por acompanhar a variação do mercado nos próximos dias e não fazer um ajuste de forma imediata”. O texto ressaltou ainda que não há periodicidade predefinida de reajustes desde junho. Na terça-feira, o

ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que “petróleo quem resolve é a Petrobras”. Procurado ontem, o Palácio do Planalto disse que não comentaria o reajuste.

A última atualização do preço

da gasolina ocorreu no dia 5 de setembro. Em agosto, foram três reajustes. No caso do diesel, sensível para os caminhoneiros, foram três aumentos desde o início de agosto, sendo o último na sexta-feira. A nova alta do diesel é a segunda em seis dias.

Para analistas, a decisão da Petrobras foi correta. Na opinião de Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a empresa mostra que sua direção tem liberdade em sua política de preços:

—A sensação é de que o aumento já estava decidido, mesmo o presidente Bolsonaro falando ou não sobre o assunto. A Petrobras agiu de forma serena, esperando passar alguns dias para ver qual seria o novo patamar de preços. Antes do ataque, o preço do petróleo estava inferior a US$ 60. Mesmo que esse aumento da estatal não cubra a defasagem, vai ajudar a recuperar parte das perdas.

DEFASAGEM DO INÍCIO DO ANO

Magda Chambriard, ex-diretora da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e consultora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que o alinhamento de preços coma cotação internacional do petróleo é fundamental para a companhia num momento em que está vendendo ativos não só de refino, mas também gasodutos:

—É importante mostrara independência. O controle de preços por parte do governo é mortal para investimentos nesse setor. Quem vai se interessar em comprar um gasoduto se sabe que o gás que passa por ele tem preço controlado pelo governo? É bom ser independente.

Segundo ela, os preços do petróleo têm se mantido relativamente altos desde o início do ano, entre US$ 60 e US$ 70. Edmar Almeida, do Instituto de Economia da UFRJ, também observa que a cotação global já estava em alta antes da crise saudita e a Petrobras acumulava certa defasagem:

— Por conta da tendência de alta do petróleo, ficou claro que os preços não vão cair.

Fonte: O Globo

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