Postos de combustível no prejuízo

Postos de combustível no prejuízo

Pouco mais de duas semanas após o início da quarentena em Campinas, os postos de gasolina da cidade continuam com as vendas de combustível afetadas

Pouco mais de duas semanas após o início da quarentena em Campinas, os postos de gasolina da cidade continuam com as vendas de combustível afetadas pela queda de movimento decorrente do atual cenário de distanciamento social para conter a proliferação do novo coronavírus. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas, o Recap, Flávio Campos, a redução em alguns bairros chegou a 80%. “Nos postos de rodovia, a queda foi menor porque o movimento de caminhões tem segurado”, explica.

Como consequência da pandemia da Covid-19, os preços da gasolina e do álcool registraram queda nas duas últimas semanas, um reflexo do aumento dos estoques dos revendedores. A redução do valor da gasolina, por exemplo, chegou a mais de 10%. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média sempre esteve acima dos R$ 4,00 entre novembro do ano passado e março deste ano. Agora, o litro da gasolina pode ser encontrado até por menos do que R$ 3,99 em alguns postos da cidade, enquanto é possível encontrar o litro do álcool sendo comercializado por R$ 2,50.

De acordo com o Recap, já vem ocorrendo queda dos preços dos barris de petróleo desde antes da pandemia e o cenário daqui pra frente depende da Petrobras e do repasse que será feito pelas distribuidoras aos postos revendedores.

Desde que o decreto de quarentena passou a valer em Campinas, no último dia 23 de março, o movimento do posto Jardim do Trevo, localizado na Avenida Prestes Maia, registrou queda de 60%. De acordo com o gerente Paulo César, houve uma recuperação e neste momento a redução é de 50% em relação à demanda normal do local. “O impacto está sendo grande. Se ficar neste patamar por mais este mês, a gente até consegue resistir para não ter mais demissões do que já teve. Mas se permanecer este cenário quando o pessoal que liberamos de férias retornar, aí vamos ter que promover mais demissões”, lamenta.

De acordo com o Recap, atualmente existem 1.400 postos na região de abrangência do sindicato, que engloba a Região Metropolitana de Campinas, o Circuito das Águas e outras cidades da região. A média de funcionários por unidade é de 13 funcionários, ou seja, existem pouco mais de 18 mil profissionais empregados na região que estão sujeitos aos desdobramentos da crise. “O nosso norte hoje é diminuir o desemprego em massa porque isso gera um reflexo muito ruim para a economia a médio prazo”, afirma Flávio Campos.

Estabelecimentos operam além do horário de funcionamento

Sofrendo bastante com a crise da pandemia da Covid-19, alguns postos de gasolina de Campinas estão operando além do horário especificado no decreto municipal do prefeito Jonas Donizette, do dia 23 de março, que recomenda aos revendedores de combustível o funcionamento de segunda a sábado, das 7h às 19h — aos domingos e feriados, a determinação é para que fiquem fechados.

O posto Jardim do Trevo, por exemplo, funcionava 24 horas sete dias por semana, mas agora está operando das 6h às 22h, de segunda a sábado. De acordo com o gerente Paulo César, a adoção da carga de 16 horas diárias está em conformidade com a resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que estabelece um mínimo de 12 horas, das 7h às 19h, para todos os revendedores varejistas de combustíveis automotivos. “Não consta nada de máximo. Consultamos o nosso advogado e não existe algo que nos impeça de funcionar neste horário.

Outros postos como Rodocamp e Posto Garcia também estão operando em esquema semelhante. Para nós, não compensaria fazer 24 horas porque o movimento é muito baixo. Determinamos que todo o terceiro turno de trabalho entrasse de férias no fim do mês passado”, explica o gerente. No entanto, a Secretaria de Planejamento e Urbanismo (Seplurb) de Campinas informa que os postos de combustíveis da cidade que funcionarem além do horário estipulado no decreto municipal estão sujeitos à notificação.

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