Queda na venda de combustíveis no Estado é de 30%

Queda na venda de combustíveis no Estado é de 30%

Em entrevista à Rádio Diário AM 780, o presidente da Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua, comentou que a venda de combustíveis nos postos do Estado caiu mais de 30%.
“O setor, assim como vários outros em função da pandemia, logo no início, principalmente nos centros maiores, teve uma queda muito grande na faixa de 60% em alguns lugares até 70%, e na sequência com os ajustes das normas e com pouco mais de entendimento sobre tudo isto hoje nós temos uma situação de 30% a 40% de queda dependendo da região, é muito impactante e nos preocupa em função de pequenos e menores revendedores. Não conseguimos prever o que vem pela frente, é como se estivemos nos movimentando na neblina, mas temos de avançar”, disse.
O presidente lembrou que diante deste cenário, a Sulpetro realiza no dia 25 de junho, às 16h, o evento “Junto com o revendedor” destinado para proprietários de postos de combustíveis das cidades de Carazinho, Erechim e Passo Fundo. O encontro virtual tem como objetivo levar informações para a gestão dos negócios, especialmente neste período de pandemia do novo coronavírus e de mudanças expressivas no volume de vendas.
Dal’Aqua contou que a maior queda das vendas no Estado se dá na gasolina e que além das restrições de circulação, a pandemia trouxe uma nova maneira das coisas acontecerem, algumas irreversíveis, tanto que a entidade estima que mesmo no pós-pandemia, o consumo de combustíveis continuará menor do que era antes dela.
“Temos situações diferentes que não prevíamos no passado, o homework, as pessoas estão racionalizando mais o deslocamento e todo isto vai ocasionando uma retração no consumo e nos estamos projetando de que quando estivermos em um “novo normal” há uma estimativa de queda de 20% ao natural no consumo”, citou.
O presidente observou que logo no início da pandemia, o setor teve um certo fôlego com a queda no preço do barril de petróleo. Porém, diante dos preços agora subindo e de um pequeno aumento de consumo se comparado ao início da pandemia, há um problema de fluxo de caixa para manter os estoques e as linhas de financiamentos anunciadas para dar suporte as empresas durante o período de pandemia têm sido difíceis de acessar.
“Nós tivemos no início da pandemia no cenário internacional um derretimento no preço do petróleo que trouxe um alívio momentâneo à revenda pois, baixou o preço do petróleo e o revendedor não precisou naquele momento completar seus tanques, houve um alívio financeiro, e agora com a retomada do barril do petróleo e uma pequena aceleração nas vendas é um novo cenário de preocupação. Não há linha de financiamento para as empresas. Os bancos que a gente imaginava que teria linha de crédito não estão fazendo, então por isso temos um cenário de incertezas e não tem previsão de como poderemos sair desta situação e por quanto tempo”, argumentou o presidente.

Três mil postos e 30 mil empregos
De acordo com o presidente, no Estado existem cerca de 3 mil postos de combustíveis que geram cerca de 30 mil empregos. “Infelizmente o ajuste está ocorrendo. O objetivo foi a preservação de emprego e a utilização das possibilidades do governo federal, desde o início temos tratado com o sindicato para a flexibilização do banco de horas, a antecipação de férias e imaginávamos que isto seria por dois, três meses e poderíamos superar, mas todas estas articulações estão retomando: as pessoas que estavam em férias, a redução de horário e infelizmente a demissão está sendo inevitável”, apontou Dal´Aqua.
O presidente da Sulpetro observou ainda que margens bastante apertadas do setor vem se verificando ha cerca de quatro anos, e diante da queda de volume, a preocupação é de que alguns dos cerca de três mil postos de combustíveis no Estado não consigam se manter no mercado. “Eu diria que é um processo. Estamos em dificuldades desde a troca da sistemática de preços da Petrobras em 2016 quando se passou a alterar diariamente os preços. Os postos foram ficando sem saber como se movimentar direito. As distribuidoras não, elas são muito mais organizadas e ágeis e souberam se apropriar de uma margem que era dos postos. Desde 2016 os postos estão perdendo margem e com perda de margem aliada a uma perda de volume tem-se um complicador muito grande, especialmente os menores. Estamos muito preocupados pois fica muito complicado para eles sustentar o negócio com toda pressão da sociedade por preço e com todos os custos que temos como legislação trabalhista, ambiental e outras. É uma situação bem difícil” comenta o representante da categoria.
“O que a gente sempre sugere que os negócios busquem renda alternativa, rentabilizem seus negócios, não fiquem só dependendo da venda do combustível, se possível agregar serviços, é preciso fazer algo para minimizar a perda da margem pois esta perda da margem é algo que meio definida, nos postos existe concorrência, na distribuição muitos pouco e no refino no Brasil muito menos”, disse o presidente que destacou que a incidência de carga tributária sobre os combustíveis somam quase 50% do preço e revela que a margem de lucro hoje de cerca de 10%.

Fonte: Diário da Manhã

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