Raízen estreia na B3 distante dos múltiplos de renováveis

Raízen estreia na B3 distante dos múltiplos de renováveis

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, dá início à sua abertura de capital na B3 avaliada inicialmente muito mais próxima dos indicadores de mercado de uma empresa de açúcar e etanol, ou de distribuição de combustíveis, setores em que atua hoje, do que como uma companhia de energias renováveis, como pretende ser referência. Com a precificação concluída anteontem, o valor de firma da companhia ficou em 7,3 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), e vai para 9 vezes se for considerada a Biosev, cuja aquisição está sendo concluída, conforme apurou o Valor.

Esses múltiplos ainda estão distantes daqueles observados nas empresas que investem em combustíveis e energias renováveis e que têm capital aberto no exterior, como a petroleira finlandesa Neste, a americana Tesla ou o Renewable Energy Group, cujos indicadores estão na casa dos dois dígitos.

No caso da Neste, empresa que a Raízen apresentou no “roadshow” como a principal referência de negócio por causa da aposta da europeia em biocombustíveis avançados, o múltiplo vem oscilando perto de 30 vezes. A companhia finlandesa ainda tem a maior parte de sua receita com derivados de petróleo, mas a área de biocombustíveis já é o maior da Europa. Além disso, o negócio garante à companhia a maior parcela de seus resultados operacionais e ainda deve crescer para contribuir com sua meta de ser neutra em carbono em 2035.

O Renewable Energy Group, com foco apenas em biocombustíveis, sobretudo na produção de biodiesel e de diesel renovável, apresenta atualmente um indicador um pouco mais próximo do da Raízen, mas ainda acima: 14,9 vezes. Já a Tesla, cuja solução para a redução de emissões é a eletrificação, o múltiplo chega hoje a mais de 120 vezes. Isso porque a com reforço da venda de créditos regulatórios com base em carbono para outras montadoras. Em 2019, a empresa de Elon Musk disse que seus veículos já haviam evitado a emissão de 4 milhões de tonelada de carbono.

Com um perfil de negócios único no país, o valor de firma da Raízen em relação ao seu Ebitda está hoje mais próximo das empresas do setor sucroalcooleiro, principalmente a São Martinho, e de suas concorrentes em distribuição de combustíveis no Brasil, que apresentam múltiplos de um dígito.

A São Martinho, por exemplo, é negociada por múltiplo de 6,2 vezes, e estreou na bolsa em 2007 com múltiplo de 7,8 vezes, mas seu indicador já chegou a ultrapassar os 13. O indicador da BR Distribuidora, por sua vez, está em 6,9 vezes, enquanto o da Ultrapar – que além da Ipiranga, tem negócios em química, gás, logística e farmácia – está em pouco mais de 10 vezes.

Desta forma, a “tese ESG” que a Raízen apresentou ao mercado para atrair os investidores se reflete ainda mais nos planos de crescimento do que no modelo atual de negócios. Para ler esta notícia, clique aqui.

Fonte: Valor Econômico

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