Retomada da atividade favorece distribuidoras de combustíveis

Retomada da atividade favorece distribuidoras de combustíveis

A flexibilização das medidas de isolamento deve levar à recuperação das distribuidoras de combustíveis. A melhora não será rápida, mas analistas dizem que o aumento paulatino da demanda vai favorecer, no médio prazo, os ganhos das principais empresas da área no País. “Por ser um setor altamente correlacionado com a atividade, a retomada deve impulsionar a melhora na rentabilidade das empresas”, diz Luis Sales, analista da Guide Investimentos.

É uma opinião unânime. “A flexibilização do isolamento elevará a demanda por combustíveis e também por recomposição de estoques em empresas”, diz Alvaro Bandeira, sócio e economista-chefe do banco digital Modalmais. “Consequentemente, é de se esperar recuperação das vendas das distribuidoras, porém, a partir de volumes muito baixos de abril e maio.”

Para ele, a recuperação das margens deve ser lenta e acontecer a partir do segundo semestre. Bandeira afirma que será preciso “avaliar em detalhes o desempenho da BR Distribuidora nesse segmento, no qual existem poucas grandes empresas”.

Logo após a divulgação do resultado do primeiro trimestre, na semana passada, o presidente da BR Distribuidora,

Rafael Grisolia, disse que a queda de demanda foi forte em março, mas que a venda de diesel está voltando a níveis pré-crise. Os volumes de gasolina e etanol caíram 55% na última semana de março, em relação à média diária acumulada desde o início do trimestre. Os volumes de diesel sofreram redução de 25% e os do segmento de aviação, de 60% na mesma comparação.

Segundo Renato Chanes, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, os volumes de etanol e gasolina ainda continuam cerca de 15% menores do que os observados no pré-crise. Houve avanço nas últimas semanas, em linha com a flexibilização das medidas de isolamento. Quanto à aviação, o cenário continua bastante desafiador, diz ele. Após uma queda inicial entre 90% e 95% em abril, as distribuidoras estão rodando ao redor de 25% da demanda pré-crise.

“Para os próximos meses, nossas expectativas são de que os volumes continuem melhorando. Uma tendência é que o etanol ganhe participação de mercado da gasolina, devido aos repasses de preços da Petrobrás e a sazonalidade favorável da cana de açúcar”, afirma Chanés.

Em termos de resultados, o Santander espera que as empresas listadas tenham mais uma vez perdas com estoques no segundo trimestre, de forma similar ao observado entre janeiro e março. Os maiores impactos são esperados na Raízen e na BR Distribuidora (por conta da exposição à aviação). Segundo o Santander, a BR Distribuidora tem maior participação no mercado de diesel, o que compensa parcialmente a aviação.

“Com relação às perdas em função do preço do petróleo, observamos esse movimento já no primeiro trimestre e devemos observar ainda certo impacto no segundo trimestre, mas de forma pontual, visto que os preços já mostram recuperação”, diz Sales, da Guide.


Fonte: O Estado de S.Paulo

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