Risco de recessão aumenta pressão para aprovar reformas

Risco de recessão aumenta pressão para aprovar reformas

A economia do país encolheu 0,2% no primeiro trimestre do governo Bolsonaro, após dois anos de crescimento de apenas 1,1% em cada. Com o risco de voltar à recessão, que se estendeu do segundo trimestre de 2014 ao fim de 2016, aumenta a pressão por mudança nas regras de aposentadoria e outras reformas, como a tributária: a crise fiscal impede o gasto público para estimular a economia. O desempenho poderia ter sido pior não fosse o consumo das famílias, que cresceu 0,3%. O investimento regrediu 1,7%, segundo recuo consecutivo, retrato da pioradas expectativas no primeiro trimestre. Sem que governo e setor privado invistam, não há como absorver os mais de 13 milhões de desempregados. Para ter crescimento de 1% em 2019, o PIB terá de se expandir 0,6% em cada um dos próximos trimestres.

Depois de dois anos de crescimento, a economia voltou a encolher no primeiro trimestre do governo Bolsonaro, informou ontem o IBGE. O recuo, de 0,2% do Produto Interno Bruto( PIB ), aumenta a pressão por reformas para afastar o risco de o país voltar à recessão. Após a divulgação do resultado negativo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disseque o governo estuda libe raros aquedo FGTS para estimulara economia após a aprovação da reforma da Previdência. Especialistas apontam que não há como resgatar a capacidade de crescimento consistente e sustentável sem a aprovação da mudança der e grasna aposentadoria e outras reformas, além da retomada dos investimentos em infraestrutura e das privatizações.

O ajuste fiscal ainda em curso impede o aumento do gasto público para estimulara economia. Acrise econômica da Argentina, principal parceiro comercial na região, e a tragédia de Brumadinho afetaram bastante a indústria, que voltou à recessão ao amargara segunda queda consecutiva no começo deste ano. Além disso, o Banco Central tem se mostrado reticente quanto à hipótese de reduzir juros enquanto não houver sinais mais claros de aprovação de uma reforma da Previdência consistente, capaz de melhorar o cenário para as contas públicas, observa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

— A economia está estagnada em um nível de baixo crescimento. É um cenário deprimente e perigoso, pois pode nos levara um anova recessão —diz Silvia Matos, economista do Ibre/FGV.

CONSUMO DAS FAMÍLIAS

Aquedado PIB só não foi maior, explica Clau dia Dionísio, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, porque o consumo das famílias sustentou o resultado pelo lado da demanda, com alta de 0,3%. Ele também contribuiu para ajudar, pelo lado da oferta, o desempenho do setor de serviços, que avançou 0,2%.

O crescimento do consumo das famílias, porém, ocorreu em ritmo mais lento do que nos trimestres anteriores. Para analistas, há sinais de preocupação adiante.

— Como o mercado de trabalho formal segue fraco, o consumo das famílias preocupa quando se pensa na dinâmica do PIB para o futuro— diz Thiago Xavier, economista da Consultoria Tendências.

A indústria extrativa foi o grande destaque negativo do PIB no primeiro trimestre, ao recuar 6,3% em relação ao fim do ano passado. A queda é a maior desde o último trimestre de 2008, quando teve resultado similar. Para Claudia, isso reflete as consequências do desastre na unidade da Vale em Brumadinho, em janeiro, e uma retração na produção de petróleo, óleo e gás.

‘SENSO DE URGÊNCIA’

Os economistas já colocam na contado cenário debaixo crescimento a difícil relação entre Executivo e Legislativo, o que contribuiu para a deterioração das expectativa se a quedana confiança. As previsões para o resultado fechado do ano estão convergindo para um resultado inferior ao dos últimos dois anos, quando a economia cresceu apenas 1,1%.

Segundo Silvia, as expectativas foram revertidas porque houve atraso na agenda de reformas do governo.

—Ninguém imaginava que o estresse seria tamanho e geraria tal baixa de expectativas. Mais do que queda de juros ou novos saques do PIS e FGTS, o governo precisa buscar anormalidade política que não teve até agora. Isso seriam ais importante para resgatara capacidade de crescimento para olongo prazo, já que 2019 está de certa forma perdido — completou o economista-chefe da MB Associados.

Luis Eduardo Assis, ex-diretor do Banco Central, avalia que falta “senso de urgência” ao governo, que deveria adotar medidas para impulsionar o consumo, como cortara taxa básica de juros para impulsionar o crédito ou agilizara liberação dos saques das contas de FGTS, independentemente da aprovação da reforma.

—Nem tudo se resolve com a fada da confiança, como crê esse governo. A economia está patinando porque simplesmente não existe demanda. Um empresário, ao avaliar se fará ou não um investimento, se preocupa coma relação dívida/ PIB ou com quanto ele vendeu nos últimos meses?

Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco ABC, discorda. Para ele, como o mercado condicionou a retomada da economia à aprovação da reforma da Previdência, ela precisa acontecer para a atividade deslanchar. Ele destaca a importância de o governo adotar uma agenda de concessões para 2020, para atrair investimento e gerar emprego.

Para o economista, num cenário de atividade fraca, a liberação de recursos do FGTS pode ter pouco efeito:

— As pessoas vão guardar (o dinheiro) ou pagar dívidas. Colaboraram Bárbara Nóbrega e David Barbosa

Fonte: O Globo

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