Risco-país tem o menor nível desde 2010, e dólar recua

Risco-país tem o menor nível desde 2010, e dólar recua

O acordo comercial entre China e EUA fez o dólar fechar a R$ 4,061, menor patamar desde 5 de novembro. Já o risco-país recuou a 98 pontos, nível mais baixo desde novembro de 2010, com expectativa de retomada mais consistente da economia em 2020. Para analistas, investidores antecipam grau de investimento.

O cenário externo, com o acordo entre Estados Unidos e China, levou o dólar comercial a encerrar ontem a R$ 4,061, com queda de 1,13%, o menor patamar desde os R$ 3,993 registrados em 5 de novembro. Além disso, a expectativa de uma retomada mais robusta da economia no ano que vem contribuiu para que o risco-país, medido pelo contrato de CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote da dívida pública) recuasse aos 98 pontos, o menor nível desde novembro de 2010.

Já o Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, depois de atingir o recorde

intraday de 113.196 pontos, encerrou em queda de 0,59%, aos 111.896 pontos.

A chamada fase 1 de um acordo entre China e Estados Unidos, confirmada na última sexta-feira pelos dois países, é considerada positiva pelos investidores. O acordo, primeiro passo para o fim da guerra comercial iniciada em março de 2018, prevê a redução de medidas protecionistas impostas por Washington à China.

— Ainda fica uma sombra nos mercados, que continuam à espera de detalhes sobre esta medida e sobre as próximas negociações entre China e Estados Unidos. De toda forma, esse acordo retira boa parte das tensões no cenário global, contribuindo para uma melhor performance dos índices — explicou Danilo Cápua, sócio da Guelt Investimentos.

EXPECTATIVA COM ‘RATING’

O cenário interno, por sua vez, contribuiu para que o risco-país, medido pelo contrato de CDS, recuasse a 98 pontos. É o menor patamar desde 8 de novembro de 2010, quando o indicador estava em 97 pontos.

De acordo com analistas, os investidores já olham para o Brasil como um país com grau de investimento, mesmo sem que as agências de classificação de risco tenham alterado o rating do país. No último dia 11, a Standard & Poor’s (S&P) mudou a perspectiva para a nota de crédito do Brasil de neutra para positiva — o que significa que ela pode ser elevada —, citando avanços na área fiscal. As notas hoje são “BB-” (longo prazo) e “B” (curto prazo).

— O mercado já está prevendo que o Brasil voltará a ser investment grade. Está antecipando um movimento que tende a acontecer —afirmou Mauricio Pedrosa, estrategista da gestora Áfira.

Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, destaca a condução das reformas e a perspectiva de uma economia mais forte no ano que vem:

— Quando o CDS chegou ao patamar de 120 pontos, o Brasil já estava sendo visto, pelo mercado, como um país com grau de investimento.O upgrade no rating não é tão rápido, segue todo um protocolo, mas o mercado avalia o Brasil de forma mais positiva. A condução das reformas e a perspectiva de um crescimento mais consistente em 2020 corroboram essa visão.

Entre os membros do Brics, aquele com menor risco-país é a China, com 34 pontos (no início do mês, estava em 38 pontos). Depois vem a Rússia, com 53 pontos (no início de dezembro, eram 69), e a Índia, com 67 pontos (66 no início do mês). O Brasil, porém, tem um risco-país menor que o da África do Sul, com 168 pontos (no início de dezembro, 187).

Na América do Sul, o Chile tem um CDS de 42 pontos (há duas semanas, 56). A Colômbia também tem uma posição melhor que a do Brasil: 72 pontos (90 no início do mês). Já o CDS da Argentina,

em crise econômica, está em 3.925 pontos. Mas até o CDS argentino recuou: no início de dezembro, era de 4.643 pontos.

Há expectativa de que o novo presidente argentino, Alberto Fernández, anuncie um pacote de medidas econômicas, depois de um imposto sobre compras feitas em dólares, que vai incidir inclusive sobre passagens aéreas.

— O impacto pode ser em áreas como o setor automobilístico. Entretanto, para o mercado, não impacta muito —disse Pedrosa, da Áfira.

AÇÕES EM QUEDA

No mercado acionário, os papéis da Via Varejo (dona de Casas Bahia e Ponto Frio) subiram 3,56% com a expectativa de aumento do consumo com a retomada da economia. O indício de uma fraude contábil no balanço da empresa, cujo impacto chegaria a R$ 1,4 bilhão, não prejudicou o desempenho das ações.

Já os papéis da Vale, que operaram em alta ao longo de quase todo o dia por conta de dados positivos da economia chinesa, fecharam com recuo de 0,78%. A produção industrial da China teve crescimento de 6,2% em novembro, acima das expectativas de analistas, de 5%.

O frigorífico Marfrig disse que o aumento dos impostos para exportação na Argentina não terá impacto material no resultado da empresa. A receita líquida da Marfrig na Argentina representa 3,6% do consolidado. Ainda assim, suas ações fecharam em queda de 0,37%. Entre as concorrentes, a BRF avançou 2,33%, enquanto a JBS recuou 0,55%.

O setor bancário, de maior peso no Ibovespa, também encerrou em baixa. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) do Banco do Brasil caíram 1,36%. Os papéis preferenciais (PN, sem voto) do Bradesco e do Itaú Unibanco recuaram, respectivamente, 1,51% e 2,29%.

Fonte: O Globo

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