Sindicombutíveis-DF: gasolina muito barata pode estar adulterada

Sindicombutíveis-DF: gasolina muito barata pode estar adulterada

Se o consumidor do Distrito Federal conseguir encontrar gasolina abaixo de R$ 4, é melhor ter atenção redobrada e pedir ao frentista fazer o teste de qualidade para saber se a gasolina não foi adulterada. Essa possibilidade é aventada pelo presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares. “Não tem mágica. Ou é transporte de combustível clandestino ou o produto está adulterado. Pode acontecer”, afirmou Tavares nesta terça-feira (23/07) ao programa CB.Poder, uma parceira do Correio Braziliense e a TV Brasília. O consumidor pode solicitar o teste de qualidade quando quiser e, se o funcionário inventar uma desculpa ou se recusar a faze-lo, é bom ficar desconfiado, segundo ele.
O empresário e sindicalista contou que fechou o posto dele por cinco dias, porque não conseguiu acompanhar os preços mais baixos desde a última semana, que chegaram a R$ 3,86 o litro em algumas revendas do Plano Piloto. Essa queda, segundo ele é resultado das recentes reduções de preços da Petrobras, que mudou a política acompanhando o barril de petróleo no mercado externo e o cambio, e à retração da demanda no meio das férias de julho. Pelos cálculos dele, o preço médio atual do mercado, considerando uma margem de lucro em torno de R$ 0,25 por litro de gasolina para o distribuidor, seria de R$ 4,31. Mas hoje, se muito, o distribuidor está conseguindo uma margem de R$ 0,8 a R$ 0,10 efetiva para cada litro vendido.
O principal vilão do preço da gasolina na bomba ser tão mais caro do que quando sai da refinaria, na avaliação de Tavares, são os impostos. Segundo ele, eles representam 43,8% do total do preço no posto. “Enquanto o distribuidor tem um lucro de R$ 0,10 a cada litro vendido, os impostos representam R$ 1,2”, destacou. Para ele, a reforma tributária é a mais urgente que precisa ser feita pelo Congresso, porque com a unificação dos impostos sobre o consumo nas esferas federal, estadual e municipal, ajudaria a reduzir esse custo e acabaria com a diferença de preços da gasolina entre os estados. Essa unificação tributária está prevista em duas propostas de reforma tributária que tramitam tanto no Senado quanto na Câmara. Já a proposta do governo federal, que poderá ressuscitar a velha CPMF, com uma roupagem nova, ainda é desconhecida pela população.
Com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Tavares informou ainda que, nos últimos dois anos, o consumo de combustíveis encolheu 26%, passando de 90 milhões de litros por mês para 65 milhões de litros mensais. Esse perda tem a ver não apenas com a conjuntura econômica, de desemprego e perda do poder de compra da população, mas também com a mudança nos costumes. Muito mais pessoas usam transporte por aplicativo, como carro, bicicleta e patinete.

Fonte: Correio Braziliense

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