O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, rebateu ontem as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e disse que a empresa vai manter sua política de preços atrelada à variação do petróleo no mercado internacional. “Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado”, afirmou Coelho, em reunião com analistas de bancos para detalhar o balanço da Petrobras no primeiro trimestre, quando fechou com lucro de R$ 44,5 bilhões.

Segundo ele, quanto melhor o resultado da empresa, maior o volume de impostos que são recolhidos para a União, o que beneficia a sociedade. “A arrecadação de R$ 70 bilhões em impostos no primeiro trimestre promove mais empregos, permite que Estados e municípios façam investimentos”, disse ele.

Em transmissão ao vivo em rede social, na quinta-feira, Bolsonaro classificou os lucros da empresa como sendo um “estupro” por supostamente beneficiar apenas os investidores estrangeiros da Petrobras, enquanto o consumidor no País tem de arcar com a alta de preços dos combustíveis. O presidente também disse que o País ficaria próximo de uma “convulsão social” se fosse determinado novo reajuste para os combustíveis.

Mais tarde, durante entrevista coletiva, Coelho falou especificamente sobre as críticas de Bolsonaro. Segundo o executivo, a preocupação de Bolsonaro com os preços dos combustíveis é “legítima”, mas há uma “confusão” em relação aos principais “vetores” do resultado financeiro da companhia.

“Não há relação significante entre os resultados da Petrobras e o reajuste dos preços dos combustíveis. Para os senhores terem uma ideia, 80% dos ganhos do período (o primeiro trimestre) foram provenientes das atividades de exploração e produção de petróleo e apenas 20% de todos os demais segmentos”, afirmou ele.

Segundo Coelho, a diretoria da Petrobras não é “insensível” aos elevados preços dos combustíveis nos postos. Tanto que a empresa “acompanha preços de mercado”, mas não repassa a “volatilidade momentânea de imediato” para os preços. Só que, em determinados momentos, os reajustes devem ser feitos, para manter a saúde financeira da companhia.

Coelho também ressaltou que o aumento das cotações do petróleo é um fenômeno global, turbinado pela guerra na Ucrânia. Por isso, “a elevação do preço dos combustíveis acontece em todo o mundo e é uma preocupação de todos os líderes governamentais.”

FONTE: O Estado de S.Paulo